poéticas políticas

Esperançar

Esperanzar

To give hope

 

 

Esloane Gonçalves1

1 Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais, Sobradinho, Distrito Federal, Brasil. E-mail: esloanegoncalvesr@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-4635-8696.

 

 

 

Submetido em 28/09/2025

Aceito em 28/09/2025

 

 

 

Como citar este trabalho

GONÇALVES, Esloane. Esperançar. InSURgência: revista de direitos e movimentos sociais, Brasília, v. 11, n. 2, jul./dez. 2025. DOI: 10.26512/revistainsurgncia.v11i2.59839.

 

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InSURgência: revista de direitos e movimentos sociais

v. 11 | n. 2 | jul./dez. 2025 | Brasília | PPGDH/UnB | IPDMS | ISSN 2447-6684

 

Dossiê realizado em colaboração com a revista El Otro Derecho do Instituto Latinoamericano para una Sociedad y un derecho Alternativos

 

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Esperançar

 

Palavra bonita né a tal ESPERANÇA! Parece semente que brota no peito e vai crescendo...

Crescendo...

E se torna árvore, que floresce, que torna a ser semente, e o vento leva e espalha por aí

E, de repente, a gente se assusta no meio de uma floresta. A floresta ESPERANÇA!

E daí toda a gente, encabulada, começa a se perguntar o que fazer com esse mundaréu de esperança.

 

E da interrogação, brota uma vontade danada de fazer o que só os humanos sabem: transformar através do trabalho

E assim a ESPERANÇA muda de forma, ganha som, cheiro, gosto... E o que era espera vira verbo, vira trabalho coletivo e solidário. A ESPERANÇA se torna ESPERANÇAR!

Nasceu miudinha a bichinha, e cresceu tanto! Virou Garcia! Olha que boniteza: Esperança

Garcia! Virou feitura, construção, liberdade, rebeldia...

E noutros cantos, em muitos e distintos tempos, continua se multiplicando esperançando

 

Eu esperanço

E tu esperanças

 

Nós esperançamos

Elas Garcia

 

Nessa metamorfose da esperança vão todas escrevendo o novo, tecendo o futuro, costurando pedacinho por pedacinho da sociedade que queremos

Nessa elaboração do esperançar construímos lugares como a RENAP dizem que em 1995...

Ou 96. Mas isso é detalhe!

O que importa mesmo, mesmo é que acabamos de costurar o 28° encontro nacional desse nosso esperançar.

E esperançando registramos nossas experiências, ideias e estratégias. Escrevemos cadernos que são como cadernos de receitas de avó, sabe? Que a gente tenta reproduzir, mas sempre sai diferente e criamos assim uma receita nova.

 

E esperançando debatemos quem ocupa cada posição na produção da sociedade que queremos. E aí, atrás da massa ou na frente dela?

Importante registrar: a floresta do esperançar continua a lançar sementes em outros campos, ampliando a fronteira e a diversidade. O esperançar que era advogados do MST recebeu

ONG's, acadêmicos, mulheres, negros e negras, pessoas trans... Diversificou, enriqueceu, amadureceu...

 

No amadurecimento: confederou-se! Trouxe outros debates, outros olhares, outras reflexões sobre opressão e oprimidas. Pautou gênero. Descobriu-se que ESPERANÇA é mulher e

ESPERANÇAR é feminino!

Estamos descobrindo também que envelhecer é tão bom! Nos quase 30, estamos deixando a juventude para trás! Esperançaremos ainda melhor!

 

Sobre a autora

Esloane Gonçalves

Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Jataí. Bacharela em Direito pela Universidade Federal de Jataí. Pesquisadora do Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais (IPDMS) e advogada popular pela Rede Nacional de Advogados Populares (RENAP-GO).