Vidas desperdiçadas?

Uma análise de Estamira, de Marcos Prado, e No quarto de Vanda, de Pedro Costa

Autores

  • Mônica Horta Azevedo Université de Rennes

DOI:

https://doi.org/10.1590/S2316-40182013000100009

Resumo

Vanda e Estamira seriam apenas mulheres comuns, inseridas em universos sociais desfavorecidos e em vias de extinção. Mas, alçadas pelas mãos de cineastas, são transformadas em personagens de si mesmas e ganham o lugar que historicamente lhes foi sempre negado: o da fala. Ao mesmo tempo em que aproximam o real do representado essas docu-fi cções convidam à refl exão acerca do que Zygmunt Bauman defi ne como “vidas desperdiçadas”. Com uma linguagem cinematográfica contrária à dos cânones, os cineastas Marcos Prado e Pedro Costa contribuem, por meio de um raro recorte, para a construção identitária de parte das sociedades portuguesa e brasileira. E ainda que seja grande a distância espaço-temporal que separa essas duas mulheres, a comparação das obras é algo possível e fecundo.

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Biografia do Autor

Mônica Horta Azevedo, Université de Rennes

Doutora em português pela Université Rennes 2 (UHB), França, doutora em Literatura pela Universidade de Brasília (UnB), Brasília, Distrito Federal, Brasil.

Referências

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Publicado

2013-06-27

Como Citar

Azevedo, M. H. (2013). Vidas desperdiçadas? Uma análise de Estamira, de Marcos Prado, e No quarto de Vanda, de Pedro Costa. Estudos De Literatura Brasileira Contemporânea, (41), 149–165. https://doi.org/10.1590/S2316-40182013000100009