Uma nova velha história: sobre censura e literatura LGBT+

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/2316-40186110

Palavras-chave:

literatura infanto-juvenil, LGBT , censura e contracensura, análise semântica

Resumo

Se, por um lado, o objeto livro se conformou historicamente como instrumento de poder hegemônico, por outro, corrobora, a partir da pluralidade de conteúdos, para a existência, não apenas ficcional, de identidades múltiplas. De encontro a essa premissa, a censura contra conteúdo LGBT+ para crianças e adolescentes ganha contorno hodierno durante a Bienal do livro do Rio de Janeiro. Com o objetivo de interpretar a resposta do público acerca do episódio, sua relação com aspectos socioculturais e, principalmente, em que medida o ambiente livresco se reverbera nessas postagens, propomos uma análise de redes semânticas do corpus selecionado. Para a fundamentação teórica, baseamo-nos na historiografia do livro e da literatura, nos estudos culturais e nos estudos de gênero. Como resultado, em suma, discutimos quatro temáticas centrais que apontam para o interesse pela leitura do conteúdo distribuído ou seu rechaço; a relação entre educação e vigilância direcionada às crianças; o sentimento de pertencimento por parte da comunidade LGBT+; a moral cristã como argumento contrário à ação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ABL critica censura do governo de Rondônia a livros de Machado, Nelson Rodrigues e outros (2020). O Globo, Rio de Janeiro, 7 fev. Disponível em: https://glo.bo/2JXoT03. Acesso em: 28 jan. 2020.

ABRELIVROS - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDITORES E PRODUTORES DE CONTEÚDO E TECNOLOGIA EDUCACIONAL (2017). MEC diz que vai recolher livro infantil de escolas por falar de incesto. São Paulo: Abrelivros, 8 jun. Disponível em: https://bit.ly/2JP1e1D. Acesso em: 29 jan. 2020.

ARIÈS, Philippe (2006). História social da criança e da família. Rio de Janeiro: LTC.

BADINTER, Elisabeth (1993). XY: sobre a identidade masculina. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

BASTIAN, Mathieu et al. (2009). Gephi: an open source software for exploring and manipulating networks. Disponível em: https://gephi.org/publications/gephi-bastian-feb09.pdf. Acesso em: 4 fev. 2020.

BORDINI, Maria da Glória (1998). A literatura infantil nos anos 80. In: SERRA, Elizabeth D’Angelo (org.). 30 anos de literatura para crianças e jovens: algumas leituras. Campinas: Mercado de Letras.

BUTLER, Judith (2003). Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

CHARTIER, Roger (2004). Conversa com Roger Chartier. [Entrevista a] Isabel Lustosa. Observatório da Imprensa, São Paulo, n. 304, 23 nov. Disponível em: https://bit.ly/3lkwfIN. Acesso em: 28 jan. 2020.

CORSARO, William A. (1997). A reprodução interpretativa no brincar ao “faz-de-conta” das crianças. Revista Educação, Sociedade e Culturas, n. 17, p. 113-134.

DANOWSKI, James (1993). Network analysis of message content. In: DERVIN, Brenda; VOIGHT, Melvin J. (org.). Progress in communication sciences. New Jersey: Ablex Publishing. v. 7, p. 198-221.

ECO, Umberto; CARRIÈRE, Jean-Claude (2010). Não contem com o fim do livro. Tradução de André Telles. Rio de Janeiro: Record.

FOUCAULT, Michel (1988). História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Eições Graal.

GUIMARÃES, Hellen (2019). Livro viraliza nas redes ao listar motivos para confiar em Bolsonaro com 188 páginas em branco. O Globo, Rio de Janeiro, 14 ago. Disponível em: https://glo.bo/32wfpiN. Acesso em: 29 fev. 2020.

HABERMAS, Jürgen (1981). Teoria do agir comunicativo: sobre a crítica da razão funcionalista. São Paulo: WMF Martins Fontes. v. 2.

INSTITUTO PRÓ-LIVRO (2016). Pesquisa Retratos da Leitura do Brasil. São Paulo: IPL, mar. Disponível em: https://bit.ly/3ncBk6t. Acesso em: 29 dev. 2020.

INSTITUTO VLADIMIR HERZOG (s.d.). Memórias da ditadura. São Paulo: Instituto Vladimir Herzog. Disponível em: http://memoriasdaditadura.org.br. Acesso em: 274 jan. 2020.

JUCÁ, Beatriz. Justiça veta censura homofóbica de Crivella na Bienal do Livro do Rio. (2019). El País, São Paulo, 7 set. Disponível em: https://bit.ly/38OcJko. Acesso em: 28 jan. 2020.

LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina (2017). Literatura infantil brasileira: uma nova outra história. Curitiba: PUCPress; FTD.

LOURO, Guacira Lopes (2004). Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica.

MALTA, Renata; AMADO, Aianne; MEIRELLES, Pedro (2019). #Casamentoreal: uma análise sociocultural a partir de postagens no Twitter. Revista Fronteiras, v. 21, n. 3, p. 28-40.

MANGUEL, Alberto (2010). Uma história da leitura. São Paulo: Companhia das Letras.

MANGUEL, Alberto (2018). Ler é um ato de poder. Vídeo (5m34s). Publicado no site Fronteiras do Pensamento. Disponível em: https://www.fronteiras.com/videos/ler-e-um-ato-de-poder. Acesso em: 24 fev. 2020.

MARTIN, Henry-Jean; FEBVRE, Lucien (1992). O aparecimento do livro. São Paulo: Hucitec; Ed.Unesp.

MENDONÇA, Heloísa (2017). Queermuseu: o dia em que a intolerância pegou uma exposição para Cristo. El País, São Paulo, 13 set. Disponível em: https://bit.ly/3pb0wfj. Acesso em: 28 jan. 2020.

MORAES, Carlos; LAJOLO, Marisa (1995). A expansão da literatura infantil. In: BASTOS, Dau (org.). Ana & Ruth. Rio de Janeiro: Salamandra.

NETO, Felipe (2019). Censura na Bienal!. Vídeo (5m38s). Publicado no canal de Felipe Neto no Youtube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=meqsHqP4Qw4. Acesso em: 2 fev. 2020.

OITO livros que sofreram tentativa de censura recentemente no Brasil (2019). Biblioo ”“ Cultura Informacional, 13 set. Disponível em: https://bit.ly/3pD79Hq. Acesso em: 28 jan. 2020.

PIAGET, Jean (1978). O nascimento da inteligência na criança. Tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar.

QUINTANA, Mario (2005). Caderno H. 2. ed. São Paulo: Globo.

RECUERO, Raquel (2014). Conversação em rede: comunicação mediada pelo computador e redes sociais na internet. 2. ed. Porto Alegre: Sulina.

RIEDER, Bernhard (2015). YouTube Data Tools. Version 1.11. Software. Disponível em: https://tools.digitalmethods.net/netvizz/youtube/. Acesso em: 2 fev. 2020.

WILLIAMS, Raymond (1979). Marxismo e literatura. Rio de Janeiro: Zahar.

WOODWARD, Kathryn (2011). Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. 10. ed. Petrópolis: Vozes. p. 7-72.

Downloads

Publicado

2020-11-22

Como Citar

Renata Barreto Malta, Carina Luisa Ochi Flexor, & Aianne Amado Nunes Costa. (2020). Uma nova velha história: sobre censura e literatura LGBT+. Estudos De Literatura Brasileira Contemporânea, (61), 1–13. https://doi.org/10.1590/2316-40186110