Movimento e estagnação em Controle, de Natalia Borges Polesso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/2316-4018612

Palavras-chave:

espaço, literatura lésbica, Natalia Borges Polesso

Resumo

Este artigo tem o objetivo de analisar as relações entre movimento e estagnação nas construções dos espaços e da homossexualidade feminina no romance Controle, de Natalia Borges Polesso (2019a). Argumenta-se que a narrativa traça um paralelo entre a repressão da sexualidade não normativa da protagonista e sua condição médica marcada pela epilepsia e pela depressão, levando a personagem à reclusão na esfera doméstica. Embora esse paralelo possa incutir o risco de calcar a homossexualidade como patologia, a complexidade do enredo de Polesso mostra que a insegurança e o isolamento social da protagonista são superados pelo desejo homossexual, que é retratado como uma força que impulsiona o movimento da personagem. Por último, nota-se que o romance de Polesso retrabalha certos estereótipos presentes na literatura lésbica, como a exclusão social, o mito do amor trágico e o deslocamento como premissa para concretizar o encontro erótico, conforme apontam os estudos de Virgínia Maria Vasconcelos Leal.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

COOK, Matt (2003). London and the culture of homosexuality, 1885-1914. Cambridge: Cambridge University Press.

COOK, Matt (2012). Queer domesticities. In: BRIGANTI, Chiara; MEZEI, Kathy (Org.). The domestic space reader. Toronto: University of Toronto Press. p. 173-179.

FOUCAULT, Michel (1990). The history of sexuality: an introduction. Tradução de Robert Hurley. Nova York: Vintage. v. 1.

GREEN, James (1999). Além do carnaval: a homossexualidade masculina no Brasil do século XX. Tradução de Cristina Fino e Cássio Arantes Leite. São Paulo: Editora da Unesp.

KILIAN, Eveline (2014). Literarische Heterotopien: Ermöglichungsráˆume für Intergeschlechtliche Subjekte. In: BAIER, Angelika; HOCHREITER, Susanne (Org.). Inter*Geschlechtliche Körperlichkeiten: Diskurs/Begegnung im Erzáˆhltext. Vienna: Zaglossos. p. 39-66.

LEAL, Virgínia Maria Vasconcelos (2008). Deslocar-se para recolocar-se: os amores entre mulheres nas recentes narrativas brasileiras de autoria feminina. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, n. 32, p. 31-45.

LEITE, Karoline Alves; OLIVEIRA, Rita Barbosa de (2019). Amor entre Amoras: a vivência lésbica nos contos de Natalia Borges Polesso. Trama, Marechal Cândido Rondon, v. 15, n. 34, p. 101-109.

NAVARRO-SWAIN, Tania (2004). O que é lesbianismo? São Paulo: Brasiliense.

POLESSO, Natalia Borges (2019a). Amora. Porto Alegre; São Paulo: Não Editora.

POLESSO, Natalia Borges (2019b). Controle. São Paulo: Companhia das Letras.

POLESSO, Natalia Borges (2018). Geografias lésbicas: literatura e gênero. Criação & Crítica, São Paulo, n. 20, p. 3-19.

SEDGWICK, Eve Kosofsky (1985). Between men: English literature and male homosocial desire. Nova York: Columbia University Press.

SEDGWICK, Eve Kosofsky (2008). Epistemology of the closet. Berkeley; Los Angeles; Londres: University of California Press.

WINTERSON, Jeanette (1991). Oranges are not the only fruit. Londres: Vintage.

WINTERSON, Jeanette (2012). Why be happy when you could be normal? Londres: Jonathan Cape.

Downloads

Publicado

2020-11-22

Como Citar

Júlia Braga Neves. (2020). Movimento e estagnação em Controle, de Natalia Borges Polesso. Estudos De Literatura Brasileira Contemporânea, (61), 1–11. https://doi.org/10.1590/2316-4018612