“Prisioneiro da tua ilusão, vais dançar, dançar, dançar.” Marcando o território. Dança e canto como símbolos da territorialidade dionisíaca

Autores

  • MARÍA CECILIA COLOMBANI

DOI:

https://doi.org/10.26512/dramaturgias29.59429

Palavras-chave:

Dionísio, Música, Dança, Território, Poder

Resumo

A relação de Dionísio com as mulheres atravessa um campo complexo, mas uma coisa é inegável: a presença insistente do feminino em sua configuração como divindade não apenas exibe uma companheira fiel através do cosmopolitismo que acompanha o deus, mas são elas que iniciam uma interação coreográfica, marcada pelo canto e pela dança como matrizes identitárias. São elas que lideram a procissão dionisíaca e são, acima de tudo, as iniciadas privilegiadas de seus ritos de montanha, o que implica uma exibição de movimento inscrita na dança e no canto que rompe com o estereótipo da mulher ancorada ao oikos como um topos natural. Uma primeira marca nos coloca novamente de volta na Ninfa-enfermeira: a marca do território. Mas são também elas, as encantadoras Ninfas, que duplicam sua identidade inicial como enfermeiras e se tornam bacantes. Uma ninfa-dançarina que acompanha o deus adulto em sua dança frenética; Um duplo identitário que, como o próprio Dionísio, retorna mais de um traço de uma personalidade multicolorida. As ninfas constituem, assim, uma presença feminina inaugural na vida de Dionísio, ao mesmo tempo em que marcam uma marca mítica fundadora: a dança como traço feminino que acompanha a epifania dionisíaca. Retornar ao túmulo de sua mãe é reconectar-se com a dor da perda, mas também com o kairós do reconhecimento e a fundação de seus ritos, implantando o movimento frenético que as Bacantes imprimirão em Tebas por meio de sua dança e canto. Retornar ao túmulo de sua mãe é desvendar parte da história, levantar o véu sobre uma situação que Dionísio deseja colocar em cena trágica, mas é também a oportunidade de reivindicar um território, marcado pela música e pela dança de seus adoradores. Não se trata simplesmente de alcançar a terra de seus parentes; ele deve marcar seu território; um território que lhe pertence. Como se estabelecer politicamente em um topos que não reconhece o deus? Dionísio chega com suas marcas de identificação, e são elas que o estabelecerão em sua terra natal. É o momento da procissão feminina, com seus movimentos frenéticos, seus gritos avassaladores e sua dança transgressora. É o momento de marcar definitivamente o território tebano com sua presença musical.

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Publicado

2025-08-31

Como Citar

COLOMBANI, M. C. (2025). “Prisioneiro da tua ilusão, vais dançar, dançar, dançar.” Marcando o território. Dança e canto como símbolos da territorialidade dionisíaca. Dramaturgias, (29), 122–130. https://doi.org/10.26512/dramaturgias29.59429