Semântica(s) e raízes: discutindo a natureza das raízes na Morfologia Distribuída

Autores

  • Beatrice Nascimento Monteiro Universidade Estadual do Piauí
  • Elisângela Gonçalves Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Palavras-chave:

raízes, semântica, Morfologia Distribuída

Resumo

Este trabalho constitui um artigo de revisão teórica e se insere no modelo da Morfologia Distribuída (HALLE; MARANTZ, 1993, 1994), pretendendo refletir sobre uma questão relevante para a teoria: a natureza das raízes. Objetivamos realizar uma revisão teórica acerca da discussão sobre a semântica das raízes, abordando diferentes trabalhos que tocam nessa temática. Discutimos algumas das diferentes concepções de conteúdo semântico que têm sido apresentadas na Morfologia Distribuída. A respeito da hipótese de que raízes são destituídas de conteúdo semântico, apresentamos as abordagens de Acquaviva (2008, 2014), Harley (2014), para os quais as raízes funcionam como índices diferenciais e só obtêm significado em um determinado contexto morfossintático. Com relação à hipótese de que as raízes possuem conteúdo semântico, discutimos os trabalhos de Minussi e Bassani (2017) e Resende (2020), os quais analisam dados de raízes do português que funcionam como evidências em favor da hipótese de que existe conteúdo semântico na raiz. Como resultados do trabalho de revisão teórica, constatamos que diferentes concepções de semântica têm sido associadas às raízes e que, para o avanço das discussões, é necessário ter clareza de que tipo de conteúdo semântico está sendo tratado. Também discutimos que classificações das raízes em tipos semânticos que denotam entidade, estado e evento, assim como a proposição de traços semânticos formais como animacidade, não são compatíveis com o pressuposto de que as raízes são acategoriais.

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Publicado

07.11.2022