“Perifa” chegou: o funk como recurso de empoderamento e transformação da realidade para mulheres negras no DF
Resumo
A história de mulheres negras, contada muitas vezes a partir de uma ótica machista, racista e classista, subalterniza esses corpos e os silencia. É a partir da metodologia de escrevivência, de Conceição Evaristo, e com uma abordagem interseccional que esse trabalho é construído. A proposta de falar sobre mulheres negras a partir de mulheres negras do Distrito Federal pertencentes à cena do funk periférico possibilita que outras narrativas sejam visibilizadas, e o discurso seja feito de forma mais coerente e articulado às suas experiências, nos possibilitando enxergar e escutar o que essas mulheres negras têm a dizer a partir de sua própria realidade. Esse trabalho busca conhecer e analisar em que medida a cultura periférica do funk se torna um agente de transformação de realidade (ou não), para mulheres negras que residem na capital do Brasil. Com a lente teórica qualitativa, fazemos referência à escrevivência como parte importante do exercício de narrativas autobiográficas, e trabalhamos com conceitos como o de interseccionalidade,
de Kimberle Crenshaw e Carla Akotirene, e o de posicionalidade, de Patrícia Hill Collins, na intenção de construir um diálogo mais representativo da realidade dada a conhecer por essas mulheres funkeiras. Outra característica muito importante desse trabalho é o uso do conceito de coparticipantes de pesquisa, e não de sujeitos de pesquisa, conforme Filice e Carnaúba (2019), numa perspectiva antirracista e antissexista. Construir todo o trabalho juntamente com aquelas que fazem parte dele no momento da devolutiva se alinha à intenção de atuarmos numa via de mão dupla, em que os dois lados da pesquisa possam estar confortáveis e se sentir representados com os escritos presentes nesta produção.
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