O vício inerente

fronteiras materiais, simbólicas e morais nas apostas do turfe

  • Romulo Labronici
Palavras-chave: Turfe, vício, jogo, apostas, estigma

Resumo

Apesar da popularidade da prática de apostas no turfe esta atividade aponta para uma fronteira moral inserida em suas estruturas. Durante a realização das corridas de cavalos um sinal de alerta é constantemente acionado para com os limites que cada indivíduo possui com as apostas. Aqui, busca-se compreender como a categoria “vício” [no jogo] é imputada de valores estigmatizantes, acusatórios, em dois espaços distintos. O primeiro organizado para a realização de apostas em comparação com outros espaços onde se prega a abstinência desta atividade. Refiro-me aqui as “casas de jogo” e dos encontros regulares de grupos de autoajuda denominados de Jogadores Anônimos (J.A.). A comparação busca compreender as disputas sobre a moral do jogo como um “campo” nos moldes de Bourdieu (2004) a partir da construção de narrativas que vão apresentar o jogo como uma atividade mais ou menos perigosa.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BURNHAM, John C. 1993. Bad Habits, drinking, smoking, taking drugs, gambling, sexual misbehavior, and swearing in American History. New York: Ed. New York University Press.

BARCELOS, Sérgio. 2002. Cavalos de corrida: uma alegria eterna. Rio de janeiro: Topbooks.

BECKER, Howard S. 2008. Outsiders, estudos de sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Zahar.

BOURDIEU, Pierre. 2004. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: UNESP. 86 p.

CAILLOIS, Roger. [1958] 2001. Man, play and games. Urbana and Chicago: University of Illinois Press, [Le jeux et les hommes].

CASSIDY, Rebecca. 2002. The Sport of the kings. Kinship, class and thoroughbred breeding in Newmarket. LOCAL : Ed. Cambridge University Press.

CARVALHO, Ney O. R. (editor). 1998a. O Turfe no estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Imprinta Gráfica e Editora.

_____. 1998b. Jockey Club Brasileiro 130 anos - Rio de Janeiro, um século e meio de Turfe. Rio de Janeiro: Imprinta Gráfica e Editora.

DAMATTA, Roberto. 1979. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. Rio de Janeiro: Record.

DAMATTA, Roberto; SOÁREZ, Elena. 1999. Um estudo antropológico do jogo do bicho. Rio de Janeiro: Rocco.

DELEUZE, Gilles; FÉLIX, Guattari. [1997] 2008. Mil platôs – capitalismo e esquizofrenia. 4ª reimpressão. São Paulo: Editora 34. vol 5.

DOUGLAS, Mary. 1976. Pureza e Perigo. Rio Janeiro: Editora Perspectiva.

ELIAS, Norbet; SCOTSON, John L. [1965] 2000. Os estabelecidos e os outsiders. Rio de Janeiro: Ed. Zahar.

FOX, Kate. 2009. The Racing Tribe, portrait of a British Subculture. New Brunswick and London: Ed. Transaction Publishers.

FOUCAULT, Michel. 1997. A história da loucura na idade clássica. São Paulo: Ed. Perspectiva.

_____. 2000. Vigiar e punir. Tradução Raquel Ramalhete. 23. ed. Rio de Janeiro: Vozes.

GEERTZ, Clifford. [1973] 2008. A Interpretação das culturas, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

GODBOUT, Jacques T. & CAILLÉ, Alain. 1999. O espírito da dádiva. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas.

GOFFMAN, Erving. 1988. Estigma: Notas Sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada. 4 ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos.

GUEDES, Simoni Lahud. 1997. Jogo de corpo – um estudo da construção social de trabalhadores. Niterói: EDUFF.

LABRONICI, Rômulo. 2012. Para todos, vale o escrito: uma etnografia do jogo do bicho. Dissertação, PPGA/UFF.

MAGALHÃES, Felipe Santos. Ganhou Leva...Do Vale Impresso ao Vale ao escrito. Uma história social do jogo do bicho no Rio de Janeiro.(1890-1960). Tese de doutorado apresentada ao PPGHS – UFRJ; Rio de Janeiro, 2005

MAUSS, Marcel. 2003. Sociologia e Antropologia. CosacNaify, São Paulo, [1950].

MARCUS, George E. 1995. “Ethnography in the World System: The emergence of multi- sited Ethnography”. Annual Review of Anthropology, vol. 24:95-117.

MELO, Victor Andrade de. 2001. Cidade esportiva: primórdios do esporte no Rio de Janeiro Rio de Janeiro: Ed. Relume Dumará.

MISSE, Michel. 1999. Malandros, Marginais e Vagabundos & Acumulação Social da Violência no Rio de Janeiro. Tese de doutorado em Sociologia, IUPERJ. Rio de Janeiro.

REZENDE, Cláudia Barcellos; COELHO, Maria Claudia. 2010. Antropologia das emoções. Série Sociedade & Cultura. Rio de Janeiro: Ed. FGV.

SIMMEL, George. 1983. Sociabilidade: um estudo de sociologia pura ou formal. MORAES

FILHO, E. (Org.). Sociologia. São Paulo: Ática, [1908]. p. 165-181.

SOARES, Simone Simões Ferreira. 1993. Jogo do bicho, um fato social brasileiro. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

VELHO, Gilberto. 2004. Individualismo e Cultura, notas para uma antropologia da sociedade contemporânea. Rio de Janeiro: Zahar.

Publicado
2018-07-12
Como Citar
Labronici, R. (2018). O vício inerente. Anuário Antropológico, 43(1), 67. https://doi.org/10.26512/anuarioantropologico.v43i1.2018/9229