DOSSIÊ TEMÁTICO - Antropologias e Deficiências                                        

Reflexões sobre “deficiência” ainda são recentes na antropologia mundial e brasileira. Antropólogos cada vez mais vêm se interessando na discussão sobre a temática e vêm estabelecendo relações com áreas já consolidadas, como antropologia do corpo, antropologia da saúde, gênero e sexualidade, antropologia urbana, movimentos sociais, antropologia da ciência e técnica, entre outros. Os contornos que a “deficiência” assume em diferentes contextos nacionais, as relações entre natureza e cultura, bem como a produção de convenções corporais em torno daquilo que a biomedicina define como lesões, patologias incapacitantes e transtornos psíquicos, têm sido alvo de um importante investimento etnográfico. Ao mesmo tempo, a problematização das tecnologias, dos recursos biomédicos e das concepções de normalidade/ anormalidade por eles engendradas vêm reorientando os movimentos políticos de pessoas com deficiência na reivindicação de direitos e chamando a atenção de antropólogos no Brasil e no mundo. Além disso, a necessidade de dar respostas à epidemias e as consequências destas na organização do fazer científico no país e na vida de sujeitos específicos, entre outras intersecções, estão adentrando a agenda da antropologia internacional. Acreditamos que as discussões sobre deficiência podem contribuir com aprofundamento da reflexão antropológica sobre diferença e alteridade, além de promover a ampliação da interlocução entre o conhecimento antropológico e os demais campos de saber, a sociedade em geral e as políticas públicas.

 

Convidamos a todas para submeter artigos para compor um dossiê especial a ser publicado na Anuário Antropológico. Os artigos serão, primeiro, triados pelas organizadoras do dossiê e, em seguida, encaminhados ao periódico para a revisão por pares em regime de duplo-cego.

 

  • Prazo de submissão dos artigos: 31/01/2019.
  • O artigo deve seguir o padrão do periódico, com até 8.000 palavras (incluindo notas e bibliografia).
  • Enviar o artigo para o email: dossiedeficienciaanuario@gmail.com

 

Organizadores do dossiê:

Éverton Luís Pereira: Graduado em Ciências Sociais pela UFSM. Mestre e doutor em Antropologia Social pela UFSC. Atualmente é professor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC-MP) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – Estudos Comparados sobre as Américas (PPG-ECsA) da Universidade de Brasília (UnB). Autor da tese “Fazendo cena na cidade dos mudos: surdez, práticas sociais e uso da língua em uma localidade no sertão do Piauí”. Membro do Comitê Deficiência e Acessibilidade da ABA e coordenador do Comitê Deficiência e Acessibilidade da ABRASCO. Coordena pesquisas sobre deficiência e possui trabalhos publicados sobre a temática. Lattes: http://lattes.cnpq.br/5197309393076747

 

Nadia Elisa Meinerz: Graduada em Ciências Sociais pela UFSM. Mestre e doutora em Antropologia Social pela UFRGS. Atualmente professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e integrante do Mandacaru, Núcleo de Pesquisas em Gênero Saúde e Direitos Humanos. Desenvolve pesquisas sobre deficiência em articulação com as linhas “Corpo, saúde e geração”; “Família, sexualidade e políticas públicas”. Lattes: http://lattes.cnpq.br/0833029650495523

 

Clarice Rios: Graduada em Psicologia pela PUC-Rio. Mestre em Ciências Sociais pela University of Chicago e Doutora em Antropologia Sociocultural pela University of California, Los Angeles (UCLA). Atualmente é professora substituta do Departamento de Psicologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Co-editou, com Elizabeth Fein, o livro “Autism in Translation: an Intercultural Conversation on Autism Spectrum Conditions”. Desenvolve pesquisa etnográfica e publica sobre o tema do autismo a partir da perspectiva dos Estudos sobre Deficiência. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6531819412432340