Saúde ecossistêmica:

do inconsciente ecológico a um novo projeto de civilização

  • Paulo Freire Vieira Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil.
  • Marina Favrim Gasparini Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil.
Palavras-chave: Saúde Ecossistêmica, Epistemologia Sistêmica, Transdisciplinaridade, Ecologia Cognitiva, Ecodesenvolvimento

Resumo

Este artigo insere-se no debate em curso sobre abordagens ecossistêmicas em saúde de um ponto de vista sensível às incertezas geradas em uma época estigmatizada pela “grande aceleração do Antropoceno”. Sob o pano de fundo das aporias da visão neoliberal do desenvolvimento, os autores resgatam o potencial contido nas pesquisas mais recentes sobre o funcionamento da mente e da consciência, em busca de estruturas unificadoras nas imagens que forjamos do ser humano e da evolução da vida no planeta. Nesse sentido, a noção de saúde ecossistêmica é associada à pesquisa de novos padrões de entrelaçamento coevolutivo – ou simbiótico – dos seres humanos com o planeta. O texto sugere que sua adoção equivaleria a uma metamorfose dos sistemas dualistas de crenças que se tornaram hegemônicos na cultura do Ocidente, rumo à construção de um novo projeto de civilização.

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Biografia do Autor

Paulo Freire Vieira, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil.

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil.

Marina Favrim Gasparini, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil.

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil.

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Publicado
2018-04-30
Como Citar
Freire VieiraP., & Favrim GaspariniM. (2018). Saúde ecossistêmica:. Sustentabilidade Em Debate, 9(1), 121 - 135. https://doi.org/10.18472/SustDeb.v9n1.2018.26953
Seção
Artigos