Uma avaliação da eficiência econômica das políticas públicas de saúde dos Estados brasileiros com o uso da análise envoltória de dados

Pedro Miguel Alves Ribeiro Correia, Francisco Lázaro Guimarães Silva

Resumo


A avaliação de políticas públicas permite identificar os programas mais eficientes, eficazes e efetivos. As informações advindas do processo de avaliação possibilitam, ao Governo, a correção de erros e o aperfeiçoamento das políticas. Em se tratando de saúde, um dos grandes avanços no processo de descentralização das políticas públicas de saúde brasileira foi a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS). Contudo, limitações orçamentárias, aliada à heterogeneidade das características geográficas, econômicas e sociais dos Estados brasileiros têm limitado a eficiência do SUS. Este trabalho buscou avaliar as políticas públicas de saúde, com o foco na eficiência alocativa dos recursos pelos Estados, utilizando para isso a análise envoltória de dados com retornos constantes de escala, orientada para os insumos. Foram construídos seis modelos. No primeiro foi usado apenas o insumo discricionário e nos demais foram inseridos os insumos não-discricionários, ou seja, variáveis que não estão sob  o controle dos gestores da saúde, mas que podem  alterar os indicadores de eficiência. Os resultados demonstraram que Estados poderiam ser eficientes com menores gastos e identificaram uma frequência maior de Estados das Regiões Nordeste e Norte na fronteira de eficiência.

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DOI: http://dx.doi.org/10.18673/gs.v8i3.24886

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Revista Gestão & Saúde (ISSN 19824785)

Revista coordenada pelo Nucleo de Estudos em Educação, Promoção da Saúde e Projetos Inclusivos (NESPROM), do Centro de Estudos Avançados Multidiciplinares (CEAM), da Universidade de Brasília (UnB).

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