Seria correto afirmar que está em curso, desde há décadas, uma descategorização no sistema da arte, desde a indefinição de gêneros – os tradicionais: pintura, escultura, desenho, gravura, fotografia, vídeo-arte, etc, já se diluíram, até as difíceis fronteiras na definição e precisão do objeto da arte, com a utilização de materiais diversos, além do próprio corpo. Ao mesmo tempo, aumenta a procura por um discurso acessível e facilitador para o grande público, pois aquele proposto por críticos e curadores, muitas vezes, apresentam propriedades indecifráveis. Geralmente, essa demanda vem à tona quando das grandes mostras de arte contemporânea, que têm sido o espaço mais frequente e imediato da relação entre público e arte. Essa dificuldade discursiva estende-se, ainda, ao artista que cumpre a função de porta-voz e mediador de seu próprio trabalho.

Com um sem-número de meios, instituições e tecnologias à disposição, surge um universo essencial e discursivamente específico que, ainda que se pretenda aberto, acessível, democrático e crítico, se vê sujeito a categorias de recepção, apreensão e compreensão assentadas no “gosto”, instaurando um circuito de validação conservador, que, contrariamente, enfraquece e invalida propostas artísticas mais transformadoras. A difícil passagem do espaço museológico de contemplação e conhecimento, para o de lazer mediado como educação parece deixar de lado, em seu discurso, a reflexão teórico-crítica, que poderia levar à superação dos imperativos iluministas do belo, do bem e do bom gosto.

A proposta de dossiê para a Revista VIS pretende que os artigos se abram para o debate teórico com os objetivos de retomar o “gosto” como elemento de fratura entre o discurso teórico-crítico e a prática mediadora de exposições; refletir sobre os modos tradicionais, consolidados e difundidos, de se tratar a categoria “gosto”, tanto em termos gerais, a partir de sistemas filosóficos que a definiram historicamente; ou, ainda, em termos específicos, voltado para determinados objetos da arte e de suas exposições.

Convidamos pesquisadores e pensadores a submeterem artigos ao Volume 18, n.2/2019 da Revista do VIS.

Os autores devem estar cadastrados no sistema. O envio dos textos deverá ser efetivado pelo site da Revista VIS. Serão aceitos textos em português, espanhol e inglês. As
diretrizes para submissão e formatação dos textos podem ser encontradas no link:
http://periodicos.unb.br/index.php/revistavis/about/submissions#onlineSubmissions


Prazo máximo para envio de artigos: 15 de junho de 2019