Racismo e Políticas Afirmativas

Evidências do Modelo da Discriminação Justificada

  • João Gabriel Modesto Universidade Estadual de Goiás
  • Ana Caroline Minelli Universidade de Brasília
  • Maria Paula Fernandes Universidade de Brasília
  • Matheus Rodrigues Universidade de Brasília
  • Ravena Bufolo Universidade de Brasília
  • Rodolfo Bitencourt Universidade de Brasília
  • Ronaldo Pilati Universidade de Brasília
Palavras-chave: Preconceito, Discriminação, Modelo da Discriminação Justificada, Políticas afirmativas

Resumo

O Modelo da Discriminação Justificada postula que o uso de justificativas exerce um importante papel na compreensão da discriminação. No presente estudo, testamos o MDJ no contexto da discriminação a estudantes que ingressaram na universidade por cotas raciais. Participaram do estudo 182 estudantes universitários, em sua maioria mulheres, que ingressaram na universidade pela ampla concorrência. Os participantes responderam a medidas de preconceito, de discriminação, de percepção de ameaça real e foram alocados em uma de três condições experimentais: valorização das cotas, ameaça real e controle. Verificou-se que a percepção de ameaça real exerceu um papel de mediação na relação entre preconceito e discriminação, independente da condição experimental, indicando o potencial explicativo do MDJ para compreensão da discriminação a cotistas.

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Publicado
2017-08-29
Como Citar
ModestoJ. G., MinelliA. C., FernandesM. P., RodriguesM., BufoloR., BitencourtR., & PilatiR. (2017). Racismo e Políticas Afirmativas. Psicologia: Teoria E Pesquisa, 33(1). Recuperado de http://periodicos.unb.br/index.php/revistaptp/article/view/19483
Seção
Estudos Empíricos