Autonomia-Relacionada como Tendência do Desenvolvimento do Self

Novas Evidências em um Contexto Brasileiro

  • Maria Lucia Seidl de Moura Professora Titular do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Dandara de Oliveira Ramos Doutoranda em Epidemiologia no Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva do Instituto de Medicina Social - UERJ
  • Luciana Fontes Pessôa Professora Assistente do Departamento de Psicologia da PUC-RIO
  • Rafael Vera Cruz de Carvalho Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Tânia Abreu da Silva Victor Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Deise Maria Leal Fernandes Mendes Professora Adjunta do Instituto de Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Palavras-chave: Autonomia-relacionada, Gerações familiares, Cuidadoras de crianças, Modelos do desenvolvimento do self

Resumo

Estudos brasileiros, em sua maioria com mães de crianças pequenas, sobre as trajetórias de desenvolvimento do self, indicam predominância do modelo de autonomia-relacionada (AR). Visando ampliar a investigação dessa tendência, foram realizados dois estudos: 1) com avós (ôs), mães, pais e filhos (16-25 anos) e 2) quatro grupos de cuidadoras de crianças com até um ano, com níveis de escolaridade diversos, selecionados não aleatoriamente. Observamos predomínio de características de self AR para todos os participantes. O efeito da escolaridade sobre autonomia foi confirmado para os pais, a AR de pais e filhos (estudo 1), e de mães (estudo 2). Mães criadas no Rio de Janeiro (capital) têm maiores escores de autonomia. A consistência familiar de modelo de self autônomo-relacionado foi evidenciada.

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Biografia do Autor

Maria Lucia Seidl de Moura, Professora Titular do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Possui graduação em Psicologia pela UERJ (1968), mestrado em Educational Psychology - University of Wisconsin - Madison (1973), doutorado em Psicologia Cognitiva pela FGV - RJ (1987) e livre-docência pela UERJ (1992). Fez pós-doutorado na USP, em psicologia evolucionista. É coordenadora da área de psicologia na FAPERJ. Atualmente é professor titular da UERJ. Nessa universidade desenvolve trabalhos na linha de pesquisa Cognição Social do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social. É coordenadora do Grupo de Pesquisa Interação Social e Desenvolvimento do Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq, membro do Grupo de Trabalho da ANPEPP Psicologia Evolucionista e vice-coordenadora do Projeto Psicologia Evolucionista, aprovado no Edital Institutos do Milênio e de Proposta sobre o mesmo tema aprovada em Programa PROCAD da CAPES.

Dandara de Oliveira Ramos, Doutoranda em Epidemiologia no Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva do Instituto de Medicina Social - UERJ

Dandara Ramos é psicóloga, Mestre em Psicologia Social pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente é Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva no Instituto de Medicina Social da UERJ, na área de Epidemiologia, sob orientação do Professor Paulo Nadanovsky e coorientação da Professora Maria Lucia Seidl-de-Moura. É colaboradora do grupo de pesquisa Interação Social e Desenvolvimento desde 2007, onde iniciou seus estudos sobre a temática Desconto do futuro. Em sua tese de doutorado, investiga as relações entre o Desconto do Futuro, as estratégias reprodutivas de Jovens moradores e não moradores de favelas e o fenômeno da gravidez na adolescência. Tem interesse em estudos com jovens em contextos socioculturais distintos e psicologia sociocultural e evolucionista.

Luciana Fontes Pessôa, Professora Assistente do Departamento de Psicologia da PUC-RIO

Luciana Fontes Pessôa é Professora Assistente do Departamento de Psicologia da PUC-RIO. É Doutora e Mestre em Psicologia Social pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da UERJ (PPGPS), e graduada em Psicologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de psicologia social, com ênfase em psicologia do desenvolvimento e psicologia evolucionista, atuando principalmente nos seguintes temas: aquisição e desenvolvimento da linguagem inicial, input linguístico, discurso narrativo, aspectos pragmáticos, sintáticos e semânticos da fala materna, transições de cenários comunicativos específicos da díade mãe-bebê, interação mãe-bebê, desenvolvimento do self e desenvolvimento humano. É membro, desde 1997, desse grupo de pesquisa. É integrante do Grupo de Trabalho Linguagem e Desenvolvimento Cognitivo da ANPEPP

Rafael Vera Cruz de Carvalho, Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Rafael Vera Cruz de Carvalho é mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGPS - UERJ) e psicólogo pela mesma Universidade. Atualmente é doutorando do PPGPS e ISSBD-Jacobs Foundation Mentored Fellow. Estuda as relações entre as dimensões de autonomia e relação e a empatia de famílias de jovens em sua tese. Tem interesse por diversos temas em Psicologia Evolucionista do Desenvolvimento, em especial pela evolução da arquitetura da mente, da linguagem e da empatia e pelos sistemas de crenças parentais e a comunicação familiar. Recentemente fez uma pesquisa sobre a comunicação empática de pais e filhos (durante o mestrado) e publicou um artigo internacional e um capítulo de livro neste tema. Foi professor de três edições de um curso de extensão sobre Psicologia Evolucionista na UERJ (2009, 2010 e 2011) e foi convidado para dar palestras em disciplinas da graduação e da pós-graduação. É Avaliador Parecerista da Editora da Universidade Federal de Rondônia (EDUFRO/UNIR).

Tânia Abreu da Silva Victor, Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Tânia Abreu da Silva Victor é psicóloga, Mestre em Psicologia Social pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Foi bolsista de iniciação científica nesse grupo de pesquisa, no qual realiza pesquisas em psicologia evolucionista abordando a temática Desconto do Futuro e Comportamento de Risco em Jovens de contextos distintos, sob a orientação da Profa. Maria Lucia Seidl de Moura. Realizou estágio voluntário na pesquisa Espaço Urbano Contemporâneo e Subjetividade: um foco especial sobre as favelas do Rio de Janeiro, sob orientação da Profa. Ana Lúcia Gonçalves Maiolino. Foi premiada com o melhor trabalho no Simpósio Internacional - Psicologia Evolucionista no Milênio: plasticidade e adaptação, realizado em Natal, em abril de 2009. Atualmente é aluna de Doutorado do Programa de Pós Graduação em Psicologia Social da UERJ e investiga as estratégias adaptativas de jovens moradores de favelas.

Deise Maria Leal Fernandes Mendes, Professora Adjunta do Instituto de Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Deise Maria Leal Fernandes Mendes é psicóloga e professora adjunta do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Formada em Psicologia pela UFRJ, é Mestre e Doutora em Psicologia Social por este Programa de Pós-graduação. Fez pós-doutorado nesta universidade, investigando interaçes afetivas entre mães e bebês, e crenças parentais. É docente do Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da UERJ e membro do corpo editoral, bem como parecerista, de periódicos consolidados na área da Psicologia. Tem interesse por estudos em psicologia do desenvolvimento, neurociências, e psicologia evolucionista e é membro do Grupo de Trabalho da ANPEPP Interação pais-bebê/criança. Sua atuação e áreas de investigação têm se voltado para o desenvolvimento socioemocional e parentalidade.

Referências

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Publicado
2017-08-29
Como Citar
Seidl de MouraM. L., RamosD. de O., PessôaL. F., CarvalhoR. V. C. de, VictorT. A. da S., & MendesD. M. L. F. (2017). Autonomia-Relacionada como Tendência do Desenvolvimento do Self. Psicologia: Teoria E Pesquisa, 33(1). Recuperado de http://periodicos.unb.br/index.php/revistaptp/article/view/19472
Seção
Estudos Empíricos