O conhecimento dos outros

a defesa dos direitos humanos epistêmicos

Palavras-chave: Conhecimento, Direitos epistêmicos, Direitos humanos, Injustiça epistêmica, Opressão epistêmica

Resumo

Seriam os direitos epistêmicos direitos humanos? Se há direitos epistêmicos, e estes são uma das duas preocupações centrais deste escrito, conhecer não é apenas promover o atrito entre convicções ou opiniões de um lado e a verdade e a justificação de outro. Se não é assim, é como se não houvesse justiça a ser administrada quando nossas opiniões e convicções ficam atravessadas de opiniões e convicções dos outros. É como se o epistêmico fosse fechado em si mesmo e nenhum outro direito pudesse atravessá-lo. Por outro lado, se há direitos epistêmicos, uma outra imagem do conhecimento deve sustentá-los. Esboçar esta outra imagem é a outra preocupação central deste escrito. Este artigo pretende introduzir essas discussões sobre justiça epistêmica articulando com a noção de direitos humanos epistêmicos.

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Biografia do Autor

Fran Demétrio, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB

Trans ativista do Coletivo de De Trans Pra Frente (Salvador-BA). Possui Doutorado em Saúde Coletiva pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC-UFBA), Mestrado em Alimentos, Nutrição e Saúde pela Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (ENUFBA) e Graduação em Nutrição pela ENUFBA. Atualmente estar Pós-Doutoranda em Filosofia pela Universidade de Brasília (UnB) 2018-2019. Atua como Professora Adjunta no Curso de Bacharelado Interdisciplinar em Saúde (BIS) do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); é líder, coordenadora e pesquisadora do (co)Laboratório Humano de Estudos, Pesquisa e Extensão Transdisciplinares em Integralidade do Cuidado em Saúde e Nutrição, Gêneros e Sexualidades - LABTrans/UFRB - do Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq. Participa como pesquisadora colaboradora do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa, Extensão e Estudos Sócio-culturais em Saúde e Segurança Alimentar e Nutricional (LIPESSAN/UFRB), do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Saúde Coletiva (GIPESC/UFRB/CNPq), do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação e Cultura (NEPAC/UFBA/CNPq) e do Núcleo de Investigação em Saúde Materno Infantil (NISAMI-UFRB). É membra da Associação Brasileira pela Saúde Integral de pessoas Trans, Travestis e Intersexo (ABRASITTI). Foi coordenadora do Núcleo de Gênero, Diversidade Sexual e Educação da Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis da UFRB (2017-2018) e do Programa de Educação pelo Trabalho - PET - Bacharelado Interdisciplinar em Saúde GraduaSUS/2016-2018. Foi coordenadora do Colegiado do curso de Graduação em Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da UFRB no período de outubro de 2013 a outubro de 2014. Nesse mesmo período foi Presidenta do Núcleo Docente Estruturante (NDE), no qual participou da construção do novo Projeto Pedagógico do Curso do BIS. Tem experiência nas áreas de Saúde Coletiva, Epidemiologia, Gêneros e diversidade sexual e Socioantropologia da Saúde, atuando, principalmente, nos seguintes temas: humanização e integralidade do cuidado em saúde e nutrição; saúde, nutrição, gêneros e sexualidades; nutrição clínica ampliada; qualidade de vida; racionalidades em saúde e nutrição; aleitamento materno; nutrição materno-infantil; epistemologia nutricional; segurança alimentar e nutricional e formação interdisciplinar em saúde.

Hilan Nissior Bensusan, Universidade de Brasília, Departamento de Filosofia

Professor Adjunto do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília (UnB).

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Publicado
2019-06-30
Como Citar
DemétrioF., & BensusanH. N. (2019). O conhecimento dos outros. Revista Do CEAM, 5(1), 110-124. https://doi.org/10.5281/zenodo.3338716