• Arte criada a partir da fotografia de Charles Baudelaire, feita por Etienne Carjat em 1863. Baudelaire, 150 anos depois
    v. 2 n. 5 (2017)
       Há 150 anos, em 1867, morria em Paris, prematuramente, o poeta Charles Baudelaire, aos 46 anos de idade. Entre poesia, crítica e páginas de journal intime, Baudelaire é talvez o autor do milhar de páginas mais surpreendente e tocante da poesia moderna francesa, imprimindo-lhe un frisson nouveau, como bem anteviu Victor Hugo.

    A Equipe da Revista XIX – Artes e técnicas em transformação decidiu, tal como vários outros periódicos mundo afora, prestar justa homenagem ao poeta, objeto de interesse direto de parte de seu núcleo de pesquisadores interessados em cultura, artes, humanidades, política e sociedades oitocentistas de forma geral.

  • MOSSA, Gustav-Adolf, 1905, Elle, óleo sobre tela, 80 x 63 cm. A tela se encontra no Musée des Beaux-Arts Jules Chéret, em Paris, França, que gentilmente cedeu sua reprodução. Insubmissas no século XIX
    v. 1 n. 4 (2017)

    Se no século XX as mulheres partem para a confrontação em busca de sua autonomia, no século XIX elas se veem obrigadas a contornar o poder masculino instituído. Como seguir uma carreira intelectual nos diferentes domínios, seja nas letras, nas artes ou nas ciências que se institucionalizavam?

    Como lidar com o peso da religião, quando esta afirmava o poder patriarcal e impunha a infalibilidade pontifical? Para a grande maioria, como se profissionalizar nos mais variados setores e ofícios, se estavam confinadas ao lar e destinadas às funções maritais e à maternidade? Como agir na sociedade quando o movimento dos trabalhadores e sindical não priorizava a preocupação com as mulheres?

    Como superar os efeitos de uma educação não mista, que afastava a mulher da vida pública e do cenário social sob o pretexto de protegê-la? Como podia sobreviver uma mulher solitária cercada pelo desprezo face à sua condição: viúvas, órfãs, mães solteiras, empregadas ou prostitutas?

    À época, a figura masculina continuava a despontar como símbolo de energia, atividade e criação, enquanto a figura feminina encarnava a fraqueza, a passividade e a procriação. O gênio certamente não tem gênero, mas as mulheres do século XIX, nas mais diversas sociedades, foram em sua maioria relegadas ao ostracismo e ao diletantismo.

    Contornar os obstáculos e as muitas práticas discriminatórias para se fazerem ‘ouvir’ foi seu combate ao longo do século. Mulheres desviantes de sua condição, mulheres de exceção nos mais diferentes domínios, mulheres da vida simplesmente se destacaram, integraram movimentos, reivindicaram de diferentes formas os seus direitos e o seu lugar.

    O teatro, a poesia, a pintura eram vias mais acessíveis que as carreiras científicas anteriores a Marie Curie. Mary Shelley ou George Sand beneficiaram-se de um reconhecimento excepcional, tal como Florence Nightingale e Chiquinha Gonzaga; mas Louise Michel não fará a merecida carreira política, assim como Camille Claudel veria sua genialidade rejeitada, entre tantos outros exemplos.

    Este número da Revista XIX é dedicado às estratégias femininas para contornar os tantos obstáculos impostos pelas sociedades do período. Interessam igualmente os perfis femininos singulares e de exceção, nos mais diferentes domínios. Não se entende o século XIX como iniciando e findando, forçosamente, pelo zero/zero, mas distendendo-o entre os dois grandes acontecimentos que marcaram o período - a Revolução Francesa e a 1ª Guerra Mundial.

  • Usufruto, privações e repercussões: olhares sobre o colonialismo
    n. 3 (2016)

    No momento em que o mundo se configura ainda como um vasto espaço passível de ser dominado, com riquezas, territórios e povos a serem explorados e conquistados, os países na vanguarda industrial tornam a colonizar outros continentes. O homem forjado pelas Revoluções Industrial e Francesa possuía uma necessidade ontológica de apoderar-se do globo; necessitando exportar sua civilização e impô-la ao outro. Distintamente da pulsão colonizadora dos séculos anteriores, o ímpeto oitocentista é movido pelo pistão, pelo vapor, pela máquina, atingindo, desse modo, proporções inéditas. Como etapa do desenvolvimento do modo de produção capitalista, o imperialismo, novo paradigma para os impérios coloniais, é dicotômico, pois divide os homens entre aqueles que usufruem os benefícios da produção e aqueles que carregam seu fardo. O colonizador necessita do colonizado, uma vez que, em tal configuração de poder, só há usufruto se houver privações. O maior ou menor controle dos mercados internacionais e dos Estados-nação pelos atores desse sistema colonial seria também uma explicação para a diversidade das situações encontradas.

    Partindo de tal perspectiva, a Revista XIX: artes e técnicas em transformação convida os interessados a enviar artigos para serem publicados em sua terceira edição. Além de textos que versem sobre a temática do dossiê, a revista também receberá ensaios e traduções relacionados ao século XIX. 

  • Viagens, exílios, nomadismos e migrações. Histórias e heranças dos deslocamentos no século XIX
    n. 2 (2015)

    As viagens sempre se configuraram como uma forma de descobrir o outro. Com o intenso desenvolvimento das ciências durante o século XIX, deslocamentos funcionavam, também, como um investimento para novas descobertas científicas, e buscas por novos recursos passíveis de serem explorados – naturais, humanos ou científicos – eram empreendidas.

           Nos Oitocentos, deslocamentos com causas e fins diversos, como o exílio, o nomadismo e a migração, aconteceram de forma continuada. Tal trânsito impôs, àqueles em movimento e àqueles sob a ação desse fluxo, o caráter de estranheza dentro dos mais diversos espaços. As heranças produzidas por esses deslocamentosforam muitas, como cartas, relatos, diários, textos literários, traduções, memórias, além de terem gerado forte impacto nas economias e nas relações políticas e sociais dos povos, em sua história, em seu pensamento e em sua arte.

  • Distensão e conservação de paradigmas no século 19
    n. 1 (2014)

    Em seu primeiro número, a Revista XIX pretende discutir as rupturas e continuidades que marcaram o século XIX em distintas áreas do conhecimento e da cultura como literatura, história, psicanálise, ciências sociais, direito, artes plásticas, jornalismo, filosofia e patrimônio.