Outras Epistemologias para os Estudos de Gênero: feminismos, interseccionalidade e divisão sexual do trabalho em debate a partir da América Latina

  • Débora Machado Universidade de Brasília
  • Maria Luisa Walter Costa Universidade de Brasília
  • Delia Dutra Universidade de Brasília
Palavras-chave: Feminismo decolonial. Interseccionalidade. Divisão Sexual do Trabalho. Estudos de gênero.

Resumo

Desde a sua primeira onda, o movimento feminista surge como proposta para combater as desigualdades entre homens e mulheres, objetivando desconstruir a lógica masculina dominante. No entanto, o feminismo tradicional hegemônico, estruturado a partir das experiências das mulheres brancas e burguesas, conta com características universalizantes e totalizadoras, que acabam por desconsiderar outras mulheres. Nesse sentido, o feminismo decolonial surge com a proposta de revisitar os conceitos modernos ligados ao feminismo hegemônico, ao considerar a interseccionalidade. A interseccionalidade é marco fundamental para compreender as diversas posições que as mulheres ocupam na sociedade e dar visibilidade a grupos que até então não eram considerados no “ser mulher”. A interseccionalidade traz como contribuição a consideração de que a divisão sexual de trabalho é também racial e de classe. Ademais, o conceito propõe para as ciências sociais uma análise sobre as diferentes formas de opressão e formas em que a “ferida colonial” se encarna nos corpos situados historicamente em processos particulares e locais. Considera-se importante, porém, tratar das críticas feitas ao conceito e apontar desafios teórico-metodológicos quanto à sua operacionalização. Em conclusão, o artigo aponta que existem interseccionalidades: as categorias de articulação variam de acordo com o grupo e seu contexto social, cultural e político.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Débora Machado, Universidade de Brasília

Socióloga. Mestranda em Ciências Sociais no PPG-ECsA do Departamento de Estudos LatinoAmericanos da Universidade de Brasília. Pesquisadora do Grupo de Estudos Interdisciplinares sobre Gênero (GREIG/ELA/UnB). Bolsista CAPES.  

Maria Luisa Walter Costa, Universidade de Brasília

Cientista Política. Mestranda em Ciências Sociais no PPG-ECsA do Departamento de Estudos LatinoAmericanos da Universidade de Brasília. Pesquisadora do Grupo de Estudos Interdisciplinares sobre Gênero (GREIG/ELA/UnB). Bolsista CAPES. 

Delia Dutra, Universidade de Brasília

Doutora em Sociologia. Pesquisadora Colaboradora Plena e Bolsista PNPD/CAPES no Programa de Estudos Comparados sobre as Américas, (ELA, Universidade de Brasília). Coordenadora do Grupo de Estudos Interdisciplinares sobre Gênero (GREIG/ELA/UnB). 

Referências

ALONSO, Graciela; DÍAZ, Raúl.. Reflexiones acerca de los aportes de las epistemologias feministas y decoloniales para pensar la investigacíon social. Debates Urgentes–Dossier: Pensamiento crítico y cambio, v. 1, n. 1, pp. 75-97, 2012.

BALLESTRIN, Luciana.. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 11, pp.89-117, 2013.

BARROSO, J. M.. Feminismo decolonial: una ruptura con la visión hegemónica eurocéntrica, racista y burguesa. Entrevista con Yuderkys Espinosa Miñoso. Iberoamérica Social: revista-red de estudios sociales (III), pp. 22 – 33, 2014. Disponível em: http://iberoamericasocial.com/feminismo-decolonial-una-ruptura-con-la-visionhegemonica-eurocentrica-racista-yburguesa.

BLAZQUEZ-GRAF, Norma.. Epistemología feminista: temas centrales, en: Blázquez, N., Flores, F., & Ríos, M. (coord.), Investigación feminista: epistemología, metodología y representaciones sociales. México, UNAM pp. 21-38, 2012.

BRASIL.. Companhia de Planejamento do Distrito Federal (CODEPLAN), PED - Pesquisa de Emprego e Desemprego, 2016. Disponível em: http://www.codeplan.df.gov.br/component/content/article/261-pesquisassocioeconomicas/258-ped.html. Acesso em nov. de 2017. CASTRO-GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Rámon. (Eds.). El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007.

COLLINS, Patricia Hill.. Black feminist thought: Knowledge, consciousness, and the politics of empowerment. Routledge, New York, pp.251-271, 2002.

CORREAL, Diana Marcela Gómez.. Feminismo y modernidad/colonialidad: entre retos de mundos posibles y otras palabras, en: Y. E. Miñoso, D. G. Correal, K. O. Muñoz (eds.), Tejiendo de otro modo: Feminismo, epistemología y apuestas descoloniales en Abya Yala. Colombia, Universidad de Cauca, pp 353-369, 2014.

CRENSHAW, Kimberlé.. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Revista Estudos Feministas, v.10, n.1, 2002, pp. 171-189.

DIEESE, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.. O emprego doméstico no Brasil. Estudos e pesquisas, n. 68, 2013, pp. 1-27. Disponível em: https://www.dieese.org.br/estudosetorial/2013/estPesq68empregoDomestico.pdf. Acesso em nov. 2017.

ESCOBAR, Arturo.. “Mundos y conocimientos de otro modo: el programa de investigación modernidad/colonialidad latino-americano”. Tábula Rasa, n.1, 2003, p. 58-86. Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=39600104>

FONSECA, Lívia Gimenes Dias da.. Despatriarcalizar e decolonizar o estado brasileiro: um olhar pelas políticas públicas para mulheres indígenas. Tese (Doutorado em Direito), Universidade de Brasília, Brasília, 2016.

G1 Mundo.. Situação de desigualdade das mulheres ameaça desenvolvimento mundial, conclui relatório da ONU, 2017. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/situacao-de-desigualdade-das-mulheres-ameacadesenvolvimento-mundial-conclui-relatorio-da-onu.ghtml. Acesso em nov. de 2017.

HARDING, Sandra.. “Rethinking Standpoint Epistemology: What is „strong objectivity‟?”, in S. Harding (ed.), The Feminist Standpoint Theory Reader. Intellectual and Political Controversies. Routledge, New York, 2004, pp. 127-140.

HIRATA, Helena; KERGOART, Danièle.. Novas configurações da divisão sexual do trabalho. Cadernos de Pesquisa, v. 37, n.132, 2007, pp. 595-609.

LUGONES, María.. Hacia un feminismo descolonial. La manzana de la discórdia, v.6, n.2, 2011, pp.105-119.

MAGLIANO, María José.. Interseccionalidad y migraciones: potencialidades y desafíos. Revista Estudos Feministas, v.23, n.3, 2015, pp.691-712.

MENDONZA, Breny. Coloniality of Gender and Power: From Postcoloniality to Decoloniality. Oxford Handbooks Online, 2015. Disponível em: http://www.oxfordhandbooks.com/view/10.1093/oxfordhb/9780199328581.001.0001/o xfordhb-9780199328581-e-6 OIT, Organização Internacional do Trabalho. Quase 20 milhões de pessoas realizam trabalho doméstico remunerado na América Latina, 2013. Disponível em: http://www.oitbrasil.org.br/content/quase-20-milhoes-de-pessoas-realizam-trabalhodomestico-remunerado-na-america-latina. Acesso em dez. de 2017.

PISCITELLI, Adriana.. Interseccionalidades, categorias de articulação e experiências de migrantes brasileiras. Sociedade e cultura, v. 11, n. 2, 2008, pp.263-274.

QUIJANO, Aníbal.. “Colonialidade, Poder, Globalização e Democracia”. Novos Rumos. Ano 17. n. 37, 2002. p. 4-28.

RAGO, Margareth. Epistemologia feminista, gênero e história. Masculino, feminino, plural. Florianópolis, Ed. Mulheres, 1998, pp. 25-37.

SANTOS, Elisabete; NÓBREGA, Lígia.. Ensaio sobre o feminismo marxista socialista. Revista de humanidades, v. 05, n. 11, jul./set, 2004. Disponível em: http://www.cerescaico.ufrn.br/mneme. Acesso em jul. de 2018.

Publicado
2018-12-20
Seção
Artigos