v. 5, n. 9-10 (2016)

Neste volume de 2016, que excepcionalmente não será semestral, damos continuidade à divulgação dos trabalhos do II Encontro Nacional de Pesquisa na Graduação, ocorrido em 2015 na UnB, evento já incorporado com sucesso ao calendário do Departamento de Filosofia, pela ação do Centro Acadêmico Ernani Maria Fiori. Como dissemos anteriormente, recebemos muitas contribuições e notamos, nas que vêm a público neste número, uma coerência de interesses políticos, tanto nas escolhas de temáticas filosóficas, como na disposição interdisciplinar para abarca problemas contextuais, culturais e sociais. Vale lembrar o caráter significativo da excepcionalidade de 2016, refletida não apenas nas dificuldades para o lançamento periódico da revista, mas também nas várias rupturas de exceção, que decisivamente ficarão impressas na história da nossa vida acadêmica e política.

 

A perplexidade que nos moveu durante esse ano de 2016 se vê plasmada, em uma imagem sem dúvida emblemática, na nossa capa, produto de uma intervenção do Projeto de Iniciação à Docência UnB – PIBID na escola Centro de Ensino Médio - CEM01 do Paranoá, gentilmente cedida pelos participantes. Trata-se de um quadro vivo que reinterpreta a pintura de Pablo Picasso, na qual o artista expõe, em tons cinzentos de recortes de jornal, a catástrofe do bombardeio de um vilarejo espanhol, Guernica, pelos alemãs aliados de Franco. Essa Guernica, pintada em 1937, foi retomada até mesmo pelas revistas da mídia cotidiana como exemplo da distopia em curso no país e no mundo. A Veja de 23 de novembro de 2016, por exemplo, retoma essa mesma tela, sem contudo a contundência de se posicionar diante do nosso assombro coletivo, citando a ‘catástrofe’ apenas como um chiste midiático de fim de ano. O quadro vivo dos alunos do Paranoá – anterior à citada capa – foi comentada pelos estudantes que o criaram como atividade do PIBID, Patrick Saldanha de Souza, Vitória Nara de Freitas Paulo, Paula Cristina Moreira Calazães, e pelo professor supervisor deles, Vinicius Silva de Souza, mestre em Filosofia pela UnB. Participaram do projeto, ainda, os estudantes de PIBID, Luciano Gonçalves de Sousa e Luan Miguel de Araújo. O estudo sobre o programa de iniciação à docência também merece uma breve apresentação histórico-crítica da atual subcoordenadora do projeto na UnB, Priscila Rossinetti Rufinoni, e uma reflexão do agora mestrando em Filosofia pela UnB, João Renato Feitosa Amorim, egresso do PIBID. Acreditamos que é central debater a posição das escolas de ensino médio, principalmente diante das propostas que incidem sobre a vida escolar de forma tão imediata e peremptória. Depois de tudo que presenciamos, é mais do que urgente que a universidade e a sociedade se ponham à escuta das vozes da rua e das salas de aula.

 

Os artigos deste 5º volume da revista foram selecionado pela mesma comissão científica ad hoc convidada para o número anterior, no qual publicamos parte dos artigos do II Encontro. Comissão composta pelos docentes e pesquisadores Alexandre Hahn (UnB), Cláudio Reis (UnB), Gabriel Valladão (doutorando Unicamp), Gilberto Tedéia (UnB),Gláucia Figueiredo (UnB), Maria Cecília Pedreira de Almeida (UnB) e Ronaldo Manzi (USP), além de pareceristas específicos pontualmente solicitados para avaliar os textos, quando se fez necessário.

 

Dos artigos selecionados, o de Indi Nara Corrêa, sobre Hannah Arendt, e o de Michelly Alves Teixeira, sobre Jacques Rancière, são produtos dos grupos de estudo em política da graduação em Filosofia da UnB. O texto sobre Rancière foi premiado na última seleção de projetos de iniciação científica de Brasília. Também são fruto da constante interlocução entre jovens docentes e estudantes os artigos de Thiago de Lima e Murilo Santos, graduandos em Filosofia da UnB, sobre a relação entre Hegel e Marx, e o de Alan David Torma, mestrando em Filosofia pela UnB, sobre a leitura de Hegel por Adorno. Túlio Pascal, da Universidade Federal de Goiás - UFG, nos traz uma análise de Michel Foucault acerca do homo oeconomicus. Todos estes trabalhos são mostras da recente implementação de novos mestrados e doutorados no Brasil, notadamente em Brasília e Goiânia. Já os artigos de Felipe Kevin Ramos da Silva, mestrando em Geografia da Universidade Federal do Pará - UFPA, no qual uma reflexão fenomenológica volta-se ao conceito de espaço em perspectiva não positivista; o de Jorge Antonio Villela, mestrando em Economia pela UnB, em que nos é apresentado um panorama político contemporâneo em torno das noções de dignidade e diferença; o de Carolina Carreiro Alencar de Carvalho, graduada em Ciência Política pela Universidade Federal do Piauí - UFP, sobre a relação entra os problemas da Justiça formal e a ordem de exceção dos justiçamentos coletivos; e o de Cecília Samel Cortês Fernandes, mestranda em Artes, Cultura e Linguagens pela Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, sobre arte na contemporaneidade, expõem e expandem para outras áreas do conhecimento a fecundidade da interpretação filosófica, quando esta se faz atuante em seu atrito com o mundo a nossa volta.

 

Com o intuito de fornecer memórias, relatos e reflexões para a compreensão do momento histórico que atualmente vivemos, o próximo número tentará, na esteira do que nos propuseram as escolas de ensino médio como este CEM do Paranoá, pensar a ocupação das universidades, especialmente a ocupação da UnB, neste ano tão ‘excepcional’ que foi 2016.

Edição completa

Ver ou baixar a edição completa PDF

Sumário

Expediente

Expediente
 
PDF
01-03

Editorial

Editorial
 
PDF
04-07

Artigos

Priscila Rossinetti Rufinoni
PDF
08-11
Vinícius Silva de Souza, Paula C. Moreira Calazães, Patrick Saldanha, Vitória Nara de Freitas Paulo
PDF
12-18
João Renato Amorin Feitosa
PDF
19-26
Indi Nara Corrêa
PDF
27-40
Michelly Alves Teixeira
PDF
41-46
Túlio Pascal
PDF
47-56
Felipe Kevin Ramos da Silva
PDF
57-71
Thiago de Lima, Murilo Santos
PDF
72-78
Alan David Torma
PDF
79-90
Jorge Antonio Villela
PDF
91-96
Carolina Carreiro Alencar de Carvalho
PDF
97-114
Cecília Samel Cortês Fernandes
PDF
115-126