O CAPITALISMO COMO RELIGIÃO

pressupostos de um diagnóstico benjaminiano

Palavras-chave: Capitalismo. Walter Benjamin. Religião. Marxismo. Modernidade.

Resumo

Este artigo pretende analisar e compreender o texto/fragmento O capitalismo como religião, escrito pelo filósofo Walter Benjamin em 1921. Esta análise é proposta de maneira a entender o imperativo que Benjamin coloca nas páginas de tal fragmento: deve-se ler o capitalismo como uma religião, o que, por sua vez, é explicitado durante o texto a partir da descrição dessa religião, de seu culto e da crítica benjaminiana à lógica capitalista, que não se restringe mais à esfera econômica ou à organização da sociedade na Modernidade, mas atravessa e perpassa todos os campos da vida humana. Em tais críticas, porém, pode-se observar o surgimento de uma das características mais marcantes do fragmento: apesar de ser um texto altamente anticapitalista e crítico, ele ainda está muito distante da teoria e da tradição marxistas, sendo muitas vezes, inclusive, crítico a essa tradição, pois é elaborado por um Benjamin que ainda se identifica mais com um socialismo romântico e libertário do que com um socialismo de orientação marxista.

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Biografia do Autor

Izabela Loner Santana, Universidade Federal do ABC

Graduada no Bacharelado Interdisciplinar em Ciências e Humanidades pela Universidade Federal do ABC (2019) e graduanda no Bacharelado em Filosofia pela mesma instituição. Desenvolve pesquisas em torno dos desdobramentos contemporâneos da filosofia hegeliana (questões como negatividade e negação, lógica dialética) e das interfaces entre Filosofia e Psicanálise, mais especificamente acerca da obra de Jacques Lacan, seus fundamentos filosóficos e relações com a Filosofia. Formação em andamento em Psicanálise pela EPFCL - Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano.

Referências

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Publicado
2019-02-28
Como Citar
Loner SantanaI. (2019). O CAPITALISMO COMO RELIGIÃO. PÓLEMOS – Revista De Estudantes De Filosofia Da Universidade De Brasília, 7(14), 141 - 151. https://doi.org/10.26512/pól.v7i14.23366
Seção
Artigos