Perfil socioeconômico e ambiental das comunidades tradicionais amazônicas: O caso das comunidades limitantes à área de Manejo florestal da Precious Wood Amazon

  • Debora Ramos Santiago Universidade de Brasília
Palavras-chave: Comunidades tradicionais. Desenvolvimento endógeno. Preciows Wood Amazon.

Resumo

>Este estudo objetiva apresentar o perfil socioeconômicos e ambiental das comunidades tradicionais limitantes à área de manejo florestal da Precious Wood Amazon (PWA), evidenciando os desafios existentes para a promoção do seu desenvolvimento endógeno, assim como a contribuição da PWA neste processo. Os dados utilizados são resultantes do Levantamento socioeconômico e ambiental realizado nessas áreas nos meses de agosto a dezembro de 2012. As comunidades analisadas apresentaram precárias condições socioeconômicas relacionadas à habitação, saneamento, educação, emprego e renda. Quanto aos aspectos ambientais, verificou-se características ecossistêmicas diferenciadas, o que modifica toda a dinâmica produtiva de cada comunidade. A agricultura familiar se revelou como potencial fonte de renda, mas necessita de investimentos e auxílio técnico, o que também ocorre com a pesca e o extrativismo. A PWAexerce significativa influencia na promoção do desenvolvimento endógeno dessas comunidades, desenvolvendo diversas ações socioambientais, visando mitigar e compensar os danos causados com as suas atividades de manejo florestal. Muitos são os desafios existentes para a promoção do desenvolvimento endógeno, sendo de extrema importância a compreensão das especificidades socioeconômicas dessas áreas periféricas do interior da Amazônia, como fomento para a formulação de políticas públicas que atendam às suas reais demandas vigentes.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Debora Ramos Santiago, Universidade de Brasília

Doutoranda em Economia na Universidade de Brasília (Linha de Pesquisa: Economia Agrícola e Meio Ambiente). Atua como Líder da Realidade Climática, desenvolvendo papel de liderança para soluções climáticas (Climate Reality Leadership Corps/2014), além disso, colabora como colunista dos Portais Educação (www.portaleducacao.com.br) e Pensamento Verde (www.pensamentoverde.com.br). Possui Mestrado em Desenvolvimento Regional (UFAM/2008-2010) e graduação em Ciências Econômicas (UFAM /2003-2007). Foi pesquisadora na área de economia e gestão do Instituto de Inteligência sócio-ambiental estratégica da Amazônia, desenvolvendo atividades relacionadas à participação em projetos e a elaboração de relatórios de pesquisa (2009-2010). Prestou serviços para a Universidade Federal do Amazonas, atuando como professora substituta do Departamento de Economia e Análise (2009-2011). Nos últimos anos (2011-2013) atuou como professora assistente da Universidade do Estado do Amazonas no Curso de Economia (Centro de Estudos Superiores de Itacoatiara), ministrando aulas, organizando eventos acadêmicos e realizando pesquisas socioeconômicas junto as comunidades rurais dos municípios de Silves e Itacoatiara.

Referências

ABRAMOVAY, R. Paradigmas do capitalismo agrário em questão. São Paulo: Hucitec, Unicamp, 1992.
ARRUDA, M. B. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Ecossistemas brasileiros. Brasília: Edições. Ibama. 2001.
ARAÚJO, A. P.; JORDY FILHO, S.; FONSECA, W. N. A vegetação da Amazônia brasileira. Belém. Anais. Belém: EMBRAPA-CPATU, 1986.
AZEVEDO, T. Precious Woods Amazon. Forest Certification: A catalyst for conservation?. IMAFLORA/PWA, 2001. Disponível em:
http://www.preciouswoods.com/dmdocuments/pdf/imaflora.pdf. Acesso em: Nov. 2015.
BAVIKATTE, K. Bio-cultural Community Protocols enforce Biodiversity Benefits. In: How Bio-cultural Community Protocols can empower local communities. Compas: Endogenous development. Magazine. No 6. AB Leusden, The Netherlands, 2010. Disponível em: http://archanth.anu.edu.au/site. Acesso: Maio de 2016.
BARQUERO, V. Desarrollo endógeno y globalización. Revista Latino Americana de estudios urbanos regionales. N. 79. Pontífica Universidad Católica Chile. Santiago, 2000.
BARQUERO, V. Desenvolvimento endógeno em tempos de globalização. Porto Alegre: Fundação de Economia e Estatística, 2002.
BAVIKATTE, K., H. Shifting Sands of ABS Best Practice: Hoodia from the
Community Perspective. United Nations University Traditional Knowledge Initiative. Last accessed August 4, 2010. Disponível em: http://www.unutki.org. Acesso: Maio de 2016.
BENNETT, E. Timber certification: Where is the voice of the biologist? Conservation Biology, 2001, 15(2), 308-310.
BEATTY, W. Natureza e finalidade da educação comunitária. In: HENRY, Nelson B. (Coord.). Educação comunitária: princípios e práticas colhidos na experiência através do mundo. RJ. Sociedade Nacional para o Estudo da Educação, 1965.
BRAGA, T. M. Desenvolvimento Local Endógeno. Entre a competitividade e a cidadania. R. B. Estudos Urbanos Populacionais. N.5, 2002.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para assuntos jurídicos. Lei 4.771 de 1965. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4771.htm. Acesso: junho de 2013.
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Registro civil de nascimento. Poder Judiciário. Disponível em: http://www.cnj.jus.br . Acesso em: janeiro de 2014.
BRASIL. Subsídios da CAISAN para a discussão sobre O papel da Pesca Artesanal e da Aquicultura Familiar na Segurança Alimentar e Nutricional na XIV Plenária do CONSE. Presidência da República. Casa Civil. Brasília, 2014. Disponível em: http://www4.planalto.gov.br/consea/eventos/plenarias/documentos/2014/. Acesso em: janeiro de 2016.
BORBA, M. La Marginalid como potencial para la construcción de otro Desarrollo: El caso de Santana da Boa Vista, Rio Grande do Sul, Brasil. Doutorado em Sociologia, Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. Universidad de Córdoba, 2002.
BORBA, M. et. al. Desenvolvimento endógeno como estratégia para sustentabilidade das áreas marginais, ITCP: USP, 2007. Disponível:
www.itcp.usp.br/drupal/node/218. Acesso em: Janeiro 2016.
CALDAS, E. L.; MARTINS, R. Uma análise comparada de experiências de desenvolvimento econômico e local. São Paulo: 2005, Polis. Disponível em: http://www.polis.org.br/download/21.pdf. Acesso em: dez 2016.
CARVALHO, A. Luz para todos. Um marco histórico: Dez milhões de brasileiros saíram da escuridão. Ministério das Minas e Energia, 2006. Disponível em:
http://luzparatodos.mme.gov.br/luzparatodos/downloads. Acesso em: dez. 2013.
CASTRO, F. Fishing Accords: The Political Ecology of Fishing Intensification in the Amazon. PhD Dissertation, Indiana University, Bloomington, 2000.
CLAY, J.; AMARAL, P. Madeira tropical sustentável de florestas naturais: o caso da Precious Wood. In: ANDERSON, A.; CLAY, J. (Org.) Esverdeando a Amazônia. São Paulo: Peirópolis, IIEB, 2002.
CORIA J., STERNER, T. Natural Resourse Management: Challenges and policy options. Working papers in economics. University of Gothenburg. No 480. 2011. Disponível em: https://gupea.ub.gu.se. Acesso em: jan. 2016.
CULTIMAR. Recursos naturais na vida caiçara. Curitiba: Grupo Integrado de Aquicultura e Estudos Ambientais. Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2008.
HOOFT, V. K. et. al. Bio-cultural Community Protocols enforce Biodiversity Benefits. A selection of cases and experiences. Compas: Endogenous development. Magazine. No 6. AB Leusden, The Netherlands, 2010. Disponível em: http://archanth.anu.edu.au/sites. Acesso: maio de 2016.
ELLIS, F. Household strategies and rural livelihood diversification. Journal of development studies, London, v. 35, n. 1, 1998.
HOMMA, A. Do extrativismo à domesticação. 60 anos de história. Mendes, Armando Dias (Org.) ed. 2 rev. Belém: Banco da Amazônia, 2004.
FILHO, J. A endogenização no desenvolvimento econômico regional e local. In: Planejamento e políticas públicas. Nº 23, junho 2001.FILHO, J. Desenvolvimento regional endógeno em um ambiente federalista. In: Planejamento e políticas públicas. Brasília, IPEA, n. 14. dez, 1996.
FURTADO, C. Os desafios da nova geração. Revista de Economia Política, v. 24, n. 96, 2004. Disponível:http://www.centrocelsofurtado.org.br. Acesso em: maio 2014.
JACOBSEN, J. Sustainable business and industry: Designing and operating for social and environmental responsibility. Milwaukee, Wis.: ASQ Quality Press, 2011.
FSC BRASIL. Cenário da Madeira 2012-1013. Forest Stewardship Council. São Paulo, 2014. Disponível em: https://br.fsc.org/preview.livro-cenrio-da-madeirafsc-no-brasil-2012-2013.a-596.pdf. Acesso em: novembro de 2015.
JEROZOLIMSKI, A. KALLIOLA, R.; PUHAKKA, M.; DANJOY, W. Amazonia peruana: vegetación húmeda tropical en el llano sudandino. Finlândia: Gummerus Printing, 1993.
LASCHEFSKI, K.; FERRIS, N. Saving the Wood from the Trees. Ecologist. 31(6), 40-44. Academic Search Premier (EBSCO) database, 2001.
LONG, N. PLOEG, J. Heterogeneity, actor and structure: towards a reconstitution of the concept of structure. In.: BOOTH, D. (org) Rethinking social development: theory, research and practice. Essex: Longman Scientific and Technical, 1994.
MIRANDA, R.A.C. Novos formatos na relação Estado e Sociedade e a promoção do desenvolvimento. Adcontar, Belém, v. 5, n.1., 2004.
OLIVEIRA, G.; LIMA, J. E. S. Elementos endógenos do desenvolvimento regional: Considerações sobre o papel da sociedade local no processo de desenvolvimento sustentável. Revista Fae, Curitiba v. 6 n. 2.,2003.
OLIVEIRA, S. O; Desenvolvimento Local e organização socioespacial. INTERAÇÕES. Revista Internacional de Desenvolvimento Local, Campo Grande, v. 4, n. 6,. 2003.
MAZURKIEWICZ P. Corporate self-regulations and Multi-stakeholder Dialogue, in Handbook of Voluntary Environmental Agreements, Edoardo Croci, Kluvert Academic Publisher, Dordrecht, 2004.
Peres, C. Effects of subsistence hunting on vertebrate community structure in Amazonian Forests. Conservation Biology, v. 14, 2000.
__________. Bringing home the biggest bacon: a cross-site analysis of the structure of hunter-kill profiles in Neotropical forests. Biological Conservation. v. 11. 2003.
PLOEG, J. SACCOMANDI, V. On impact of endogenous development in agriculture. In: van der PLOEG, J.; Van D. (org.). Beyond modernization. The impact of endogenous development. Assen: Van Gorcum, 1995.
PWA. Precious Wood Amazon. Departamento Socioambiental. Mapeamento das comunidades rurais sob a área de influência da PWA. Precious Wood Amazon. Itacoatiara, 2012.
_______________________. Resumo Público. Manejo Florestal. Precious Wood Amazon. Itacoatiara, AM, 2013. Disponível em: http://www.potencial.inf.br/. Acesso: fevereiro de 2014.
_______________________. Departamento Socioambiental da PWA. Gerência de Sustentabilidade. Itacoatiara, AM, 2012.
RÜCKERT, A. O processo de Reforma do Estado e a Política Nacional de Ordenamento Territorial. In: BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria de Desenvolvimento Regional. Oficina sobre a Política Nacional de Ordenamento Territorial. Brasília, 2005. p. 31-39.
SOUZA, I. Cadeia produtiva de castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa) no Estado de Mato Grosso. UFMT. Dissertação de Mestrado. Campo Grande/MS, 2006.
SANTIAGO, D.; AMBROSIO, D.; FREITAS, R.; SOUZA, M. Levantamento socioeconômico e ambiental das comunidades localizadas em torno da área de manejo da Precious Woods Amazon. Precious Woods Amazon. Itacoatiara, Amazonas, 2012.
SACHS, Jeffrey. The end of poverty. New York: Penguin, 2005.
STERNER, T.; CORIA, J. Policy Instruments for Environmental and Natural Management. New York e London, 2012.
STHOR, W.; TAYLOR, D. Development from above or below? The dialetics of regional planning in developing countries. Nova York, John Willey and Sons, 1981.
WONG, L.; CARVALHO, J. O rápido processo de envelhecimento da população do Brasil. Revista Brasileira de Estudos Populacionais. V. 23. Vol 1. Jan. a Jun. São Paulo, 2006.Disponível:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010230982006000100002&script=sciarttext. Acesso: março de 2014.
Publicado
2016-11-06
Como Citar
Santiago, D. (2016). Perfil socioeconômico e ambiental das comunidades tradicionais amazônicas: O caso das comunidades limitantes à área de Manejo florestal da Precious Wood Amazon. Revista Perspectivas Do Desenvolvimento, 4(5). Recuperado de http://periodicos.unb.br/index.php/perspectivasdodesenvolvimento/article/view/18841
Seção
Artigos