Projeto de Assentamento Maisa: conflito entre os saberes técnico e popular no processo de planejamento físico-espacial do seu habitat

Maria Cândida Teixeira de Cerqueira

Resumo


Resumo

Como o arquiteto e urbanista pode assimilar conhecimentos e aprimorar sua prática profissional a partir da vivência de situações em conflito existente entre o seu saber técnico e o saber popular no mundo rural? Este artigo relata o envolvimento deste profissional no planejamento e concepção do espaço dos habitats do assentamento Maisa (19.702 ha), remanescente de grande empresa fruticultora do RN. Corresponde a uma experiência pioneira no país, visto que pela primeira vez, uma instituição de assessoria técnica (AESCA) a movimento social (MST) contrata, de maneira legalizada - com aval do Estado, através do INCRA - profissional da arquitetura e urbanismo, introduzindo novos saberes. Assim, durante o ano de 2005, através de metodologia participativa, a equipe técnica, lideranças e assentados, coordenados pelo MST, conceberam o projeto dos habitats (denominados agrovilas pelo INCRA) Pomar, Apodi, Real e Montana. Foram experienciados conflitos quanto a: localização dos habitats; dimensão dos lotes de moradia; modelo da habitação; modo de construção (mutirão ou contratação de empreiteiras). Apreende-se que as decisões finais devem ser fruto da avaliação coletiva dos limites entre o saber popular e as necessidades técnicas, entendendo os momentos de ruptura e de dominação, para deles tirar partido.

Palavras-Chave: Planejamento físico-espacial, Habitat, Conflitos entre saber técnico x popular

 

Abstract

How can the architect and urbanist assimilate knowledge and improve his professional practice from the situations of conflict between the technical and the popular learning in rural areas? This article relates the involvement of a professional in planning and conception of the habitat space at Maisa settlement (19,702 ha), remaining of a large fruit company in RN. It represents a pioneering experience in the country because for the first time – by State guarantee, through INCRA –, a technical assistance institution (AESCA) for social movement (MST) legally hires a professional in architect and urbanism for this purpose in order to introduce new knowledge. Thus, in 2005, through participatory methodology, the technical team, leaders and settlers, coordinated by the MST, conceived the project of the habitats (denominated agrovilas by INCRA) Pomar, Apodi, Real and Montana. We experienced conflicts of various natures: placement of habitats; size of the living space; housing model; construction mode (either together or hired by the contractors). From that it has been learned that the final decisions must be a result of the collective evaluation of the limits between popular knowledge and technical needs by understanding both the ruptures and domination moments and taking advantage of them as well.

Key-words: Planning process, Habitat, technical x popular knowledge conflicts.


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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.18830/issn.1679-0944.n17.2016.11

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