IDENTIFICAÇÕES CRÍTICAS DE GÊNERO EM UMA ESCOLA DE CEILÂNDIA-DF: UMA ANÁLISE DISCURSIVA NO ÂMBITO DO PROJETO MULHERES INSPIRADORAS

  • Amanda Oliveira Rechetnicou Universidade de Brasília

Resumo

Neste artigo, busco analisar o modo como as alunas de uma escola pública de Ceilândia-DF constroem e afirmam identificações críticas de gênero, ao participarem do Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI). Articulo a abordagem da Análise de Discurso Crítica (ADC) e estudos (decoloniais) feministas para analisar o modo como as alunas se identificam e identificam mulheres nas interações realizadas em rodas de leitura de livros de poemas de Cristiane Sobral, que fazem parte das obras literárias de autoria feminina negra estudadas no âmbito do PMI. Com isso, busco compreender algumas estratégias discursivas dos processos identificacionais desempenhados pelas alunas, considerando a interseccionalidade entre gênero, raça e classe. A análise aponta significativas contribuições das ações do PMI para a construção de identificações críticas de gênero-raça-classe no âmbito escolar investigado.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ALCOFF, L. M. Uma epistemologia para a próxima revolução. Revista Sociedade e Estado, v. 31, n. 1, p. 129-143, 2016.

ALMEIDA, F. Atitude: afeto, julgamento e apreciação. In.: VIAN JR., O.; SOUZA, A. A.; ALMEIDA, F. (Orgs.). A linguagem da avaliação em língua portuguesa: estudos sistêmico-funcionais com base no sistema de avaliatividade. São Carlos: Pedro & João Editores, 2010. p. 99-112.

BARROS, S. M. Realismo Crítico e emancipação humana: contribuições ontológicas e epistemológicas para os estudos críticos do discurso. Campinas, SP: Pontes, 2015.

BARROSO, J. M. Feminismo decolonial: una ruptura con la visión hegemónica eurocéntrica, racista y burguesa. Entrevista con Yuderkys Espinosa Miñoso. Iberoamérica Social: revistared de estudios sociales III, 2014, pp. 22-33.

BERNADINO-COSTA, J; GROSFOGUEL, R. Decolonialidade e perspectiva negra. Soc. Estado. [online]. 2016, v. 31, n. 1, p. 15-24.

BUTLER, J. Actos performativos e constituição de género: um ensaio sobre Fenomenologia e teoria feminista. In: Género, cultura visual e performance: Antologia crítica. Portugal, 2004. p. 69-87.

CARDOSO, C. P. Amefricanizando o feminismo: o pensamento de Lélia Gonzalez. Estudos feministas, Florianópolis, 22(3): 320, 2014, p. 965-986.

CHOULIARAKI, L.; FAIRCLOUGH, N. Discourse in late modernity: rethinking Critical Discourse Analysis. Edinburgh: Edinburgh University Press, 1999.

COLLINS, P. H. Aprendendo com a outsider within: a significação sociológica do pensamento feminista negro. Soc. Estado. [online]. 2016, v. 31, n. 1, p. 99-127.

DUCROT, O. O Dizer e o Dito. Campinas: Pontes, 1987.

ESPINOSA MIÑOSO, Y. E. Uma crítica descolonial a la epistemologia feminista crítica. El cotidiano em liena, 184, marzo-abril, 2014, p. 7-12.

FAIRCLOUGH, N. Analyzing discourse: textual analysis for social research. Londres: Routledge, 2003.

FAIRCLOUGH, N. Discurso e mudança social. Coord. trad. revisão e prefácio à ed. brasileira I. Magalhães. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001.

FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. 18. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.

GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: SILVA, L. A. et al. Movimentos sociais urbanos, minorias e outros estudos. Ciências Sociais Hoje, Brasília, ANPOCS n. 2, p. 223-244, 1983.

GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, n. 92/ 93, p. 69-82, jan./jun. 1988.

GROSFOGUEL, R. A estrutura do conhecimento nas universidades ocidentalizadas: racismo/sexismo epistêmico e os quatro genocídios/epistemicídios do longo século XVI. Revista Sociedade e Estado, volume 31, número 1, p. 25-46, jan./abr., 2016.

HOOKS, B. Ensinando a transgredir: a educação como prática de liberdade. Trad. Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

KOCH, I.G.V. Argumentação e linguagem. São Paulo: Cortez, 1987.

LUGONES, M. Colonialidad y género. In: ESPINOSA MIÑOSO, Y.; CORREAL, D. G.; MUÑOZ, K. O. Tejiendo de otro modo: feminism, epistemología y apuestas descoloniales em Abya Yala. Popayán: Editorial Universidad del Cauca, 2014, p. 57-90.

MARTIN, J. R.; ROSE, D. Working with discourse. Meaning beyond the clause. London/New York: Continuum, 2003.

MARTIN, J. R.; WHITE, P. The language of evaluation: appraisal in English. London: Palgrave, 2005.

MENDOZA, B. La epistemologia del sur, la colonialidad del género y el feminismo latino-americano. In: ESPINOSA MIÑOSO, Y.; CORREAL, D. G.; MUÑOZ, K. O. Tejiendo de otro modo: feminism, epistemología y apuestas descoloniales em Abya Yala. Popayán: Editorial Universidad del Cauca, 2014.

RECHETNICOU, A. O. Narrativizações identitárias e modos de identificação no gênero reportagem: um estudo a partir da Análise Crítica de Gêneros. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Educação, Linguagem e Tecnologias, Universidade Estadual de Goiás, Anápolis, GO, 2016.

RECHETNICOU, A. O.; VIEIRA, V. C. Gênero, política e mídia: uma análise da representação e identificação de Dilma Rousseff em reportagens do ano de 2016. Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 e 13th Women’s Worlds Congress (Anais Eletrônicos). Florianópolis, 2017, p. 1-11.

RESENDE, V. Análise de discurso crítica: reflexões teóricas e epistemológicas quase excessivas de uma analista obstinada. In: RESENDE, V.; REGIS, J. Outras perspectivas em análise de discurso crítica. Campinas, SP: Pontes Editores, 2017.

RESENDE, V.; SILVA, R. B. (Orgs.). Diálogos sobre resistência: organização coletiva e produção do conhecimento engajado. Campinas, SP: Pontes Editores, 2017.

RIBEIRO, D. O que é lugar de fala? Belo Horizonte, MG: Letramento: Justificando, 2017.

SEGATO, R.L. Colonialidad y patriarcado modern: expansion del frente estatal, modernización y la vida de las mujeres. In: ESPINOSA MIÑOSO, Y.; CORREAL, D. G.; MUÑOZ, K. O. Tejiendo de otro modo: feminism, epistemología y apuestas descoloniales em Abya Yala. Popayán: Editorial Universidad del Cauca, 2014.

SOUZA, A. L. S. Letramentos da reexistência. Poesia, grafite, música, dança: hip-hop. São Paulo: Parábola Editorial, 2011.

THOMPSON, J. Ideologia e cultura moderna: teoria social crítica na era dos meios de comunicação de massa. 9 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

Publicado
2018-11-26