“Branco sai, preto fica”

cenas sobre punição e genocídio negro no Distrito Federal

  • Tarsila Flores Universidade de Brasília UnB
Palavras-chave: Punição. Genocídio Negro. Direito à Cidade. Violência Policial. Teatro da Crueldade.

Resumo

Esse artigo discute o filme “Branco Sai, Preto Fica” (2014), um documentário-fábula-ficção, que aborda uma cena clássica da periferia brasileira: a violência policial sobre corpos negros jovens. A metodologia eleita foi a Etnografia Documental e um conceito utilizado como disparador da análise foi o de Cenas do Genocídio Negro, observado a partir do Teatro da Crueldade. Como hipótese há a ideia de que esse tipo de violência que intenta mas não mata o jovem negro pode ser expressão de genocídio. Observou-se o produto da violência policial como isolamento social, enfraquecimento pessoal e dos vínculos afetivos. As personagens resistem à quase-morte física-emocional perpetrada pelos agentes do Estado com a Arte, reelaborando a vida e a força do Povo Negro em reinventar a própria história.

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Biografia do Autor

Tarsila Flores, Universidade de Brasília UnB

Mestrado em Direitos Humanos e Cidadania - Universidade de Brasília-UnB.

Pós-Graduação em Gestão Pública e de Políticas Públicas - Universidade Cândido Mendes - UCAM-RJ.

Graduação em Psicologia - Universidade Estadual Paulista - UNESP-SP.

Consultora/Pesquisadora pelo Programa das Nações Unidas em Desenvolvimento (PNUD) - desde 2015.

Professora-Colaboradora na Universidade de Brasília UnB, na disciplina de "Direito, Relações Raciais e Diáspora Africana", no curso de Graduação em Direito, Coordenada pelo Prof. Dr. Evandro Charles Piza Duarte.

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Publicado
2018-04-14