As forças policiais nas "Jornadas de Junho" de 2013

um estudo sobre a criminalização das manifestações em Porto Alegre/RS

  • Augusto Jobim do Amaral Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
  • Cássia Zimmermann Fiedler Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
  • Lucas e Silva Batista Pilau Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
  • Roberta da Silva Medina Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
Palavras-chave: Movimentos Sociais. Criminalização. Segurança Pública. Jornadas de Junho. Porto Alegre.

Resumo

Partindo de aportes político-criminológicos, esse artigo pretende compreender as formas de atuação das forças policiais no Brasil contemporâneo, especificamente aquelas vinculadas ao fenômeno da criminalização dos movimentos sociais. Tomando como contexto as chamadas “Jornadas de Junho” de 2013, correlatas aos novíssimos movimentos sociais que vieram à tona em diversas partes do mundo na última década, aponta-se para as performances na atuação das polícias civil e militar, constantemente chamadas para lidar com tais manifestações, ecoando estratégias sistemáticas dos seus legados autoritários. Para tanto, apresentam-se alguns resultados parciais da análise do inquérito policial construído pela Polícia Civil para fins de criminalização dos manifestantes que participaram das “Jornadas de Junho” na cidade de Porto Alegre no ano de 2013. Em termos consistentes, verifica-se desde logo, através da compreensão discursiva do caso, como se constituem as relações de poder na configuração do criminoso como inimigo social, forjando-se grupos que se veem inescapavelmente sujeitos ao poder soberano policial.

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Biografia do Autor

Augusto Jobim do Amaral, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

Doutor em Altos Estudos Contemporâneos (Ciência Política, História das Ideias e Estudos Internacionais Comparativos) pela Universidade de Coimbra. Doutor, Mestre e Especialista em Ciências Criminais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais (Mestrado e Doutorado) da PUCRS.

Cássia Zimmermann Fiedler, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

Graduanda em Direito e Filosofia pela PUCRS. Pesquisadora vinculada ao Grupo de Pesquisa “Criminologia, Cultura Punitiva e Crítica Filosófica” (PPGCCrim/PUCRS).

Lucas e Silva Batista Pilau, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

Mestre em Ciências Criminais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Pesquisador vinculado ao Grupo de Pesquisa “Criminologia, Cultura Punitiva e Crítica Filosófica” (PPGCCrim/PUCRS) e ao Projeto de Extensão e Gestão das Atividades de Formação Continuada (PEGA) intitulado “Polícia e Criminalização de Movimentos Sociais: o caso das jornadas de junho de 2013 em Porto Alegre/RS”.

Roberta da Silva Medina, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

Graduanda em Direito pela PUCRS. Pesquisadora vinculada ao Grupo de Pesquisa “Criminologia, Cultura Punitiva e Crítica Filosófica” (PPGCCrim/PUCRS).

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Publicado
2018-04-14