Desde a década de 70, época em que Michel Foucault proferiu várias palestras no Brasil, o interesse por sua obra tem crescido continuamente, sobretudo com a influência da Teoria Francesa na América do Norte e na América Latina. Atualmente, o estudo do seu pensamento experimenta renovada projeção em virtude da publicação de diversos inéditos (cursos, manuscritos, etc.), e do acesso a seus arquivos pessoais (contendo notas de leitura, e correspondência). A relevância filosófica da sua obra na atualidade parece indiscutível, dada a influência que exerce sobre vários autores de destaque da contemporaneidade, como Judith Butler, Giorgio Agamben, Achille Mbembe, entre outros. O objetivo deste Dossiê consiste em oferecer uma contribuição ao panorama da pesquisa internacional recente sobre Foucault, tanto no que toca a exegese crítica da obra quanto aos debates que ela continua a provocar, e os possíveis cruzamentos para se pensar a ontologia do “nosso” presente.

A parte exegética deste Dossiê insiste na dimensão pós-marxista de Foucault, e na busca de uma nova racionalidade prática, talvez de uma nova definição da liberdade subjetiva, que permitisse justificar as revoltas na sua diversidade, desde as contracondutas mais íntimas até as insurreições mais coletivas. O Dossiê apresenta também alguns debates que a filosofia de Foucault continua a provocar. A explicitação das críticas e objeções a Foucault permitem testar a obra, para saber se ela tem a coerência que reivindica. Finalmente, o Dossiê apresenta algumas tentativas de apropriações. O que fazer de Foucault hoje? Como utilizar os seus conceitos para enfrentar a análise do nosso presente? Dois artigos tentam cruzamentos com o pensamento de outros autores. A filosofia contemporânea também se fortalece dessa mescla.

Publicado: 2019-05-13

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