• Dossiê "Colóquio UnB-USP de Lógica e Filosofia da Lógica"
    v. 6 n. 2 (2018)

    O Colóquio UnB-USP de Lógica e Filosofia da Lógica teve sua primeira edição em janeiro de 2016 como uma das atividades regulares do grupo de pesquisa Lógica Filosófica e Filosofia da Lógica (CNPq) cujos membros permanentes são professores de Lógica dos Departamentos de Filosofia da Universidade de Brasília Universidade de São Paulo.

    A lógica combina métodos matemáticos e conceitos filosóficos, e a ideia do colóquio é refletir esse perfil. O evento tem como característica principal a realização de palestras longas que são em geral conduzidas por palestrantes que utilizam apenas giz e quadro. A organização do colóquio é realizada ora em Brasília, ora em São Paulo, com membros ligados aos dois centros. Sempre ocorre no mês de janeiro, em duas tardes consecutivas.

    O presente número da Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea (UnB) contém um dossiê dedicado à publicação de artigos escritos por participantes de edições prévias do colóquio, não retratando uma edição específica.

  • Dossiê "O Homem e seus Mundos - Perspectivas Filosóficas e Científicas"
    v. 6 n. 1 (2018)

    Depois de três décadas de contribuição ao ensino, à pesquisa, à orientação e à coordenação de grupos de pesquisa, particularmente em Filosofia da Biologia, nosso colega Paulo Abrantes aposentou-se do cargo de professor titular da Universidade de Brasília, no Departamento de Filosofia e no Instituto de Biologia. Pesquisador amplamente reconhecido em sua área de trabalho, bolsista de produtividade do CNPq, nível I, a aposentaria do professor Abrantes não poderia ficar indiferente aos que tiveram e têm o privilégio de trabalhar com ele. Assim, com o apoio do Departamento de Filosofia, do Programa de Pós-Graduação em Filosofia (PPG-FIL), do Projeto Douta Ignorância e do Instituto de Biologia, foi organizado um colóquio em sua homenagem, e coube a nós a grata tarefa de organizá-lo. Convidamos colegas que trabalham nas áreas de pesquisa do professor Abrantes – História e Filosofia da Ciência, Filosofa da Biologia e Filosofia da Mente – para apresentarem trabalhos nesses temas. Dessa maneira, entre os dias 28 e 30 de junho de 2017 ocorreu o Colóquio O Homem e seus Mundos – Perspectivas filosóficas e científicas: Encontro em torno do Percurso Acadêmico do Professor Paulo C. Abrantes. Quinze professores de universidades do Brasil e do exterior participaram do Colóquio, com apresentações de suas pesquisas. Os debates que se seguiram às palestras também não poderiam ter sido mais proveitosos.

    Os trabalhos resultantes do Colóquio, que compõem essa edição da Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, são parte do que foi apresentado no auditório do Instituto de Biologia e na Biblioteca Central da UnB, naqueles dias do agradável inverno brasiliense. Os temas refletiram as áreas que o professor Abrantes tem estudado nessas três décadas de atividade científica e foram bem representativos de suas pesquisas. Os títulos das palestras e mesas-redondas foram os seguintes: As relações entre História da Ciência e Filosofia da Ciência; Por que o pluralismo interessa à epistemologia?; Estruturas linguísticas, paradigmas e holismo; Uma definição integradora do conceito de informação: aproximações deaconianas; Una Biología, muchas Biologías: ¿estamos frente a un proceso de fragmentación em la Biología?; Sistemas de herança: as múltiplas dimensões da Evolução; A trajetória evolutiva humana contada pelos fósseis; Mutações no estilo de pensamento: Ludwik Fleck e o modelo biológico na historiografia da ciência; Filosofia, Biologia e Ciências Sociais; Causação na biologia e na psicologia; La atribución mental y La segunda persona; La epistemología evolucionista y el debate sobre el realismo; Paulo C. Abrantes e Alvin Plantinga em torno do naturalismo: pelo menos dois modos de fazer filosofia da ciência. Após o Colóquio, alguns autores alteraram os títulos ou fizeram acréscimos, como pode ser visto nos artigos a seguir, mas sempre dentro da temática original.

    O leitor dos artigos deste número certamente encontrará textos de altíssimo interesse para a filosofia atual. É possível, porém, que alguns desses trabalhos sejam considerados pouco filosóficos por alguns pesquisadores mais acostumados com a ênfase costumeiramente dada à história da filosofia no universo acadêmico brasileiro. O estranhamento maior vai se dar provavelmente na leitura de textos de autores originalmente da Biologia. A Filosofia da Ciência, da qual a Filosofia da Biologia é uma subárea, se dedica a refletir sobre os fundamentos conceituais e metodológicos das ciências empíricas modernas; e, principalmente desde os trabalhos de Thomas Kuhn nos anos 1960, ela é tida pela maioria dos seus especialistas como indissociável da História da Ciência. Alguns dos trabalhos aqui que mais fogem ao padrão de história da filosofia que temos no Brasil se dedicam a esses temas e problemas em história e filosofia das ciências modernas. O pressuposto por trás dessa ligação estreita entre a reflexão filosófica e o conhecimento científico é o de que o estudo das grandes questões que sempre interessaram à filosofia (o ser, o conhecer, o agir) se enriquece enormemente com o diálogo com as ciências. Para se responder a questão antropológica, por exemplo, (o que é o homem? – a quarta pergunta central da filosofia para Kant e à qual Abrantes se dedicou mais nos últimos anos), não há como deixar de lado o que dizem as ciências empíricas sobre as origens da espécie humana e a relação entre natureza e cultura. E essa é uma atitude assumida de forma central pela filosofia moderna e contemporânea; não nos esqueçamos que Descartes era matemático, que o título da principal obra de Isaac Newton (um marco fundamental da ciência moderna) se chamava Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, que Kant era geógrafo e astrônomo e que Marx deu importantes contribuições a ciências como Economia ou História. Assim, além de trazer artigos que têm valor por si mesmos, o presente volume pretende fazer pensar sobre a filosofia em nosso tempo e seu diálogo imprescindível com as ciências.

  • Dossiê Reforma Protestante
    v. 5 n. 2 (2017)

    No ano de 2017 foi comemorado em todo o mundo os 500 anos da Reforma Protestante. Nesse mesmo espírito, o Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília (UnB), como o apoio do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UnB, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Distrito Federal e do Decanato de Extensão da UnB, se propôs a dedicar-se ao tema por intermédio da sua anual Semana de Filosofia, a saber, a 45ª Semana de Filosofia. Na oportunidade, contamos com inúmeros palestrantes convidados e com muitas comunicações de professores, doutores, mestres, mestrandos e doutorandos tanto do Brasil como do exterior, o que muito abrilhantou todo o evento cujo título era efetivamente A filosofia e os 500 anos da Reforma Protestante: pressupostos e desdobramentos. Em outras palavras, foi um objetivo do Departamento de Filosofia da UnB reconhecer a importância da Reforma Protestante não apenas como um evento importante do ponto de vista religioso, mas também por julgá-lo de importância capital para a reflexão filosófica moderna e contemporânea, acreditando haver nele tanto importantes antecedentes medievais como desdobramentos significativos em contexto moderno e contemporâneo. Assim, o presente dossiê é fruto de tal evento. Aqui estão contidas algumas palestras apresentadas nele e outras que não o foram, mas que revelam estreita relação com o tema e suas reflexões.

  • Dossiê "Nietzsche"
    v. 4 n. 1 (2016)

    Gestado e concebido a partir de proveitoso diálogo com os editores da RFMC, esse Dossiê torna público resultados de pesquisa realizados tanto por professores brasileiros quanto estrangeiros. Em sua maior parte, esses artigos são frutos de um convite realizado ainda em 2015, por ocasião do V Colóquio Nietzsche da UnB, coordenador também por professores do Departamento de Filosofia. Em 2015, o tema sugerido muito contribuiu para interlocuções não apenas entre pesquisadores da filosofia nietzscheana, mas também entre estudiosos da pesquisa-Schopenhauer. Ao conceber o Colóquio Nietzsche em 2015 a partir da recepção e diálogo entre as filosofias de Nietzsche e Schopenhauer, os organizadores logo se dirigiram a RFMC para propor um projeto de publicação de alguns artigos lá debatidos, projeto este que foi muito bem acolhido pelos seus editores.

    Por um lado, os “Colóquios Nietzsche da UnB” têm visado a aprofundar e ampliar a malha de pesquisa sobre esse importante filósofo alemão, apresentando pesquisas atuais e reconhecidas entre os pares para o público acadêmico da UnB. Com essa edição especial, acredita-se que o Colóquio terá destaque não apenas pelo prestígio que a RFMC assumiu no cenário acadêmico brasileiro, mas, principalmente, porque torna concreto, ou melhor, “palpável” para o estudantes de graduação e pós-graduação também de outras universidades aquilo que está sendo produzido de mais relevante na pesquisa nacional e internacional sobre Nietzsche.

  • Dossiê "GT Fenomenologia - ANPOF"
    v. 3 n. 2 (2015)

    A fenomenologia se diz de muitos modos. É polifônica por natureza. Os artigos que se apresentam no dossiê deste número da Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea o testemunham. Eles foram ocasionados pela participação de diversos fenomenólogos do Brasil no Encontro de Fenomenologia, promovido pelo Grupo de Trabalho de Fenomenologia da ANPOF, nos dias de 28 a 30 de setembro de 2015, em Belo Horizonte, e realizado graças ao apoio da FAFICH (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas) da UFMG.

    A fenomenologia vem à fala de muitos modos e em diversos sentidos. De modo originário e num sentido inaugural, fenomenologia é o lógos do próprio fenômeno, isto é, a coisa mesma se manifestando, doando-se, clareando-se, evidenciando-se a si mesma desde si mesma. É o evento do ser se dando e se retraindo, se dizendo e se silenciando, no acontecer dos seres. Em sua originariedade, a fenomenologia dos fenômenos é o que provoca o pensamento a pensar. Com efeito, o pensar só é, propriamente, em correspondendo, ele mesmo, à fenomenologia dos fenômenos. Neste sentido, já Aristóteles, no livro I da Metafísica, ao expor as doutrinas hesitantes dos primeiros filosofantes, está atento ao decisivo: a coisa mesma (autò tò pragma) abriu o caminho para eles e os constringiu a investigar para além dos caminhos que tinham, até então, percorrido (cf. Metafísica A 3, 984a: 18-19). Fenomenologia se torna, assim, conceito de método do questionamento do pensar, da investigação filosófica. Método, no sentido de um estar a caminho numa busca investigadora, que se deixa aviar pelas vias abertas pelas coisas mesmas e se deixa constranger pela necessidade das intuições e das evidências que estas doam desde si mesmas e por si mesmas. O caminho e a coisa para a qual o caminho se encaminha, como busca questionadora, investigativa, não podem ser duas coisas. Precisam ser um. Esta unidade de método e coisa é o fenomenológico de uma investigação filosófica. À medida que isso acontece, o pensar revela sua essência fenomenológica.

    A busca da radicalidade da filosofia entendida como investigação, que se dirige, em sua intencionalidade, às coisas mesmas que estão em questão, as quais provocam o pensamento a pensar, abrem caminhos para os pensadores e os constrangem em seus esforços de perseguir o sentido de ser do que, a cada vez, se mostra, fez surgir a fenomenologia como um dos movimentos reflexivos mais importantes do pensamento no século XX. Por caminhos cada vez singulares que se cruzam num diálogo sempre plural, diversos pensadores, partindo de diversas arrancadas, se empenham por elucidar, clarear, a relação significativa do fenômeno com o homem. O caminho de Husserl, em diálogo com o qual estão os demais participantes desse movimento, se avia pelas vias da análise fenomenológica da intencionalidade. É um caminho de retorno, ou melhor, de recondução às fontes geradoras de todas as estruturações de sentido, a qual acontece ao modo de uma tríplice redução (fenomenológica, eidética e transcendental). Tematiza-se como o que se mostra numa experiência intuitiva da verdade se dá a uma consciência; como isso esboça de si uma estrutura, uma forma essencial; como encontra a sua gênese constitutiva no processo gerador de estruturações de sentido produzido pela subjetividade, e, enfim, pela intersubjetividade transcendental. Outros pensadores deste movimento reflexivo da filosofia contemporânea encontrarão a abertura de outros caminhos de investigação fenomenológica, que se cruzam, no entanto, com o caminho de Husserl. Assim, só para citar um destes, para Heidegger, a coisa mesma que provoca o pensamento a pensar, abre caminho e constrange a investigar a fenomenologia dos fenômenos em sua referência como o homem, dando-se e retraindo-se na ambivalência da verdade manifestativa do ser, enquanto mistério, isto é, enquanto o abrigar de toda a abertura e descoberta, se dando no jogo de encobrimento e desencobrimento.

    A fenomenologia, no sentido do movimento reflexivo da filosofia contemporânea, apresenta-se como uma comunidade de pensadores, envolvida num perene diálogo, e que se estrutura com círculo de círculos de investigação fenomenológica. É essencial a este movimento, para não se cristalizar em escola, corrente ou ponto de vista, colocar-se a si mesmo continuamente em questão, medindo-se com a radicalidade da sua proposta de método investigativo. Acima, portanto, da realidade histórica já formada, está a possibilidade do pensamento, que responde aos apelos do porvir.

    Os artigos que o leitor encontrará neste dossiê de fenomenologia, que a Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea oferece neste número, trazem contribuições de uma comunidade de pensadores, filósofos, estudiosos, que se reconhece como um Grupo de Trabalho de Fenomenologia. A expressão “Grupo de Trabalho” aqui não tem a função de apenas nomear um elemento da organização acadêmica, focada na produtividade da pesquisa, que se dá no nível institucional da educação superior no Brasil. Para a fenomenologia, a noção de trabalho investigativo, desenvolvido numa comunidade de pensadores, marcada pela pluralidade de caminhos, perspectivas, interesses, não é algo de acidental, de acessório, mas sim algo de essencial, de estruturante.