“Anão de jardim”: o “conto total” de Lygia Fagundes Telles

Palavras-chave: conto, conto total, grotesco, monstro, alegoria, Lygia Fagundes Telles

Resumo

Em 1995, Lygia Fagundes Telles publicou o seu último livro de contos, A noite escura e mais eu – os volumes de textos curtos publicados em seguida são de natureza híbrida (invenção e memória), crônicas ou compilação de contos dispersos. O último conto desse livro, “Anão de jardim”, por sua natureza grotesca e alegórica, pode ser considerado um conto súmula, uma síntese da contística lygiana. Neste artigo, valendo-se principalmente da teorização de Kayser (2003) sobre “o grotesco”, dos estudos de Kappler (1994) sobre “os monstros” e, ainda, das interpretações simbólicas de Chevalier e Gheerbrant (2005), defende-se “Anão de jardim” como um “conto total”, sendo Kobold (o narrador desse texto) um ser diabólico/cindido, no qual se condensam as personagens lygianas e seus dramas. Considera-se, ainda, o jardim – cenário em que se passa a narrativa – uma representação encapsulada do mundo ficcional da autora.

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Publicado
2019-02-05
Como Citar
ResendeN. (2019). “Anão de jardim”: o “conto total” de Lygia Fagundes Telles. Estudos De Literatura Brasileira Contemporânea, (56), 1-14. https://doi.org/10.1590/2316-4018563