“Ninguém” é o nome do autor:

Leonardo Gandolfi e Ana Martins Marques sobre a Odisseia

Resumo

Nosso trabalho se propõe a uma leitura de duas retomadas da Odisseia presentes nas obras de dois poetas contemporâneos, Leonardo Gandolfi e Ana Martins Marques. Interessa-nos observar nos dois escritores uma problematização da tensão entre o histórico e o contemporâneo: tanto no bloco “Piquenique”, de Gandolfi, quanto na série “Penélope”, de Marques, o que parece estar em jogo é uma remontagem da epopeia homérica de maneira que o confronto com o histórico não esteja resolvido. Essa questão nos levará a uma retomada da importância da Odisseia como modelo para a estruturação de uma história literária e para o próprio conceito de história em si através de autores como François Hartog, Erich Auerbach e, num contexto mais recente, Haroldo de Campos e Marcos Siscar. Buscamos ainda propor, a partir dos dois poetas, um conceito de contemporâneo que se dê em relação estreita com uma desautorização (como alternativa a um paradigma autoral) do histórico, o que, no contexto da Odisseia, se traduz em uma reabertura do problema da retomada, por parte de Ulisses, de seu nome.

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Referências

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Publicado
2018-09-18
Como Citar
ManzoniF. (2018). “Ninguém” é o nome do autor:. Estudos De Literatura Brasileira Contemporânea, (55), 51-72. https://doi.org/10.1590/10.1590/2316-4018554