Gilberto Freyre e o tempo-espaço brasileiro: uma crítica ao cronótopo da modernidade

Sergio Barreira de Faria Tavolaro

Resumo


Num plano mais geral, duas ordens de questões orientam as discussões deste artigo: primeiramente, qual o quadro de referência epistemológico a partir do qual se ergue a imagem freyreana da (pretensa) singularidade brasileira? Em segundo lugar, qual o alcance de seus insights, proposições interpretativas e reflexões a respeito da própria modernidade, amplamente considerada? De maneira mais específica, o presente artigo almeja revisitar o programa intelectual de Freyre com o propósito de compreender como o autor mobiliza as categorias tempo e espaço, e quais usos, conotações e sentidos emprestados a tais noções mais se sobressaem em seus esforços de interpretação da experiência moderna no Brasil. Eis as hipóteses de trabalho: (a) em seus esforços para delinear as especificidades do tempo-espaço brasileiro, Freyre caminha quase sempre no sentido de atribuir substância a ambas as noções, conferindo-lhes predicados a seu ver inextrincavelmente vinculados a contextos e situações particulares; (b) Freyre almeja nada menos que desafiar o privilégio epistemológico gozado por certa constelação espaço-temporal, a qual ele associa de maneira bastante estreita à modernidade cristalizada na Europa setentrional e na América do Norte; (c) as preocupações e formulações de Freyre a respeito do tempo-espaço brasileiro, somadas às suas proposições acerca do lugar do Brasil no concerto mundial, revelam uma agenda intelectual crítica a certo imaginário da modernidade, que se alonga e persiste no presente, demonstrando convergências com elaborações contemporâneas no seio da teoria social.


Palavras-chave


pensamento social brasileiro; teoria sociológica; modernidade

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s0102-69922017.3202007





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