A hierarquização simbólica do Brasil na Copa do Mundo

Michel Nicolau Netto

Resumo


Em meio ao debate sobre a pertinência de se sediar a Copa do Mundo no Brasil, um tema parece indisputável. Se em termos econômicos e em relação aos impactos na vida das populações mais frágeis o evento é contestável, ele se justificaria pela promoção da imagem do Brasil no exterior. Esta proposta surge justamente no momento em que, em uma economia globalizada, países em todo o mundo disputam a atração de um capital flexível e desnacionalizado. Nesse sentido, as identidades são articuladas como marca no intuito de se produzir o espaço simbolicamente como mais atraente a esse capital, o que se nota, em especial, na promoção turística. Este artigo busca compreender a relação entre a formação das marcas- lugar, empreendida pelos órgãos de turismo nacionais, e a promoção da imagem do país no contexto da Copa do Mundo. Será demonstrado, no caso brasileiro, que a pluralidade de agentes interessados na representação do Brasil leva à hierarquização dessas representações, hierarquização que se dá, contudo, não a partir do Estado-nação, mas de empresas globais envolvidas com o megaevento.


Palavras-chave


Copa do Mundo; nacionalismo corporativo; identidade nacional; Embratur; Brasil

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s0102-69922017.3201007



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ISSN 0102-6992 versão impressa

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