Mapa Mental

Hildo Honório do Couto

Resumo


O objetivo principal deste artigo é mostrar que no interior do ecossistema mental da língua, e do nosso ecossistema cognitivo geral, existe uma parte que se pode chamar de mapa mental, intimamente associado ao mapa cognitivo. Após caracterizar o conceito de mapa mental e de associá-lo a conceitos assemelhados, comento o mapa mental que eu tinha de Brasília, por ter vivido lá por mais de 30 anos. Como me mudei para Goiânia, comecei a perder partes do mapa mental de Brasília. Por outro lado, estou formando um mapa mental de Goiânia, de modo inversamente proporcional à perda paulatina do mapa mental de Brasília. Mostro também que o mapa mental é dinâmico e precisa ser alimentado percorrendo o lugar que ele representa e/ou falando sobre ele com outras pessoas. Do contrário, o conhecimento que temos dele tende a ir para uma espécie de arquivo morto. Por outro lado, o mapa mental pode ser “desarquivado” e posto novamente em uso.

 

Palavras-chave:ecossistema mental; mapa mental; referência; comunicação.  

 

Abstract:The main objective of this article is to show that there is a mental map inside the mental ecosystem of language, and of our general cognitive ecosystem at large. This mental map is intimately assosiated to our cognitive map. After characterizing the very concept of mental map and associating it to similar concepts, I presente the mental map I had of Brasília, due to the fact of having lived there for over 30 years. Since I moved to Goiânia, my knowledge of this map started to fade away. However, I am forming a new mental map of Goânia, as a specular process. I also show that mental maps are dynamic and need to be continually fed both by going through it and talking about it to other people. Otherwise our knowledge about it goes little by little to a kind of “dead files”. This “dead files” can be put on line in order to be used.

 

Keywords:mental ecosystem; mental map; reference; communication.


Texto completo:

PDF

Referências


ARCHELA, Rosely S., Lúcia H. B. GRATÃO, Maria A. S.TROSTDORF. O lugar dos mapas mentais na representação do lugar. Geografia vo. 13, n. 1, 2004, p. 1-23. Disponível em: http://www.geo.uel.br/revista

ARSENIJEVIĆ, Boban. From spatial cognition to language. Biolinguistics v. 2, n. 1, 2008, p. 0-23. Disponível em: http://www.biolinguistics.eu (acesso: 10/12/2015).

BATESON, Gregory. Steps to an ecology of mind. Northvale, N.J.: Jason Aronson, 1987.

BICKERTON, Derek. Roots of language. Ann Arbor: Karoma Publishers, 1981.

_______. Language and species. Chicago: The University of Chicago Press, 1990.

BOADA, Albert Bastardas. Ecologia de les llengües: Medi, contacte i dinàmica sociolingüística. Barcelona: Proa, 2000, 2ed.

COUTO, Elza K. N. Nenoki do. Ecolinguística e imaginário. Brasília: Thesaurus, 2012.

COUTO, Hildo H. do. Ecolinguística: Estudo das relações entre língua e meio ambiente. Brasília: Thesaurus, 2007.

_______. Linguística ecossistêmica. Disponível em:

http://periodicos.unb.br/index.php/erbel/index, 2015 (acesso: 20/06/2016).

_______. Linguística ecossistêmica. In: COUTO, COUTO, ARAÚJO & ALBUQUERQUE (orgs.), 2016, p. 209-261.

_______. Comunidade de fala revisitada. Disponível em:

http://periodicos.unb.br/index.php/erbel/index , 2016b (acesso: 05/07/2016)

_______. Ecossistema cultural. Disponível em:

http://meioambienteelinguagem.blogspot.com.br/, 2016c (acesso: 12/07/2016).

COUTO, Hildo H. do; COUTO, Elza Kioko N. N. do; ARAÚJO, Gilberto P.; ALBUQUERQUE, Davi B. (orgs.). O paradigma ecológico para as ciências da linguagem: Ensaios ecolinguísticos clássicos e contemporâneos. Goiânia: Editora da UFG, 2016.

DAMÁSIO, António. O mistério da consciência. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, 4a reimpressão.

KORZYBSKI, Alfred. The role of language in the perceptual process. In: Blake, Robert R. & Glenn V. Ramsey (orgs.). Perception: An approach to personality. New York: The Ronald Press Company, 1951, p. 15-50.

LAMB, Sydney M. Neuro-cognitive structure in the interplay of language and thought. In: PÜTZ, Martin & Marjolijn H. VESPOOR (orgs.) Explorations in linguistic relativity. Amsterdam: Benjamins, 2000, p. 173-196.

LEWIN, Kurt. 1936. Principles of topological psychology. New York: McGraw-Hill.

Makkai, Adam. Porque**ecolinguística**. Ecolinguística: Revista brasileira de ecologia e linguagem (ECO-REBEL) v. 1, n. 1, 2015, p. 19-29. Disponível em:

http://periodicos.unb.br/index.php/erbel/article/view/15124/10832 (acesso: 13/07/2016).

MARÍAS, Julián. Introdução à filosofia. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1960.

MUFWENE, Salikoko. The ecology of language evolution. Cambrdge: Cambridge University Press, 2001.

ORTEGA Y GASSET, José. Origem e epílogo da filosofia. Rio de Janeiro: Livro Ibero-Americano, 1963.

PELTZER-KARPF, Annemarie & Manuela WAGNER. Nurturing nature: The ecologically-driven interplay of brain and environment in early communication. In: KETTEMANN, Bernard & Hermine PENZ (orgs.). ECOconstruting language, nature and society: Essays in honor of Alwin Fill. Tübingen: Sttauffenburg Verlag, 2000, p. 357-374.

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix, 1973, 5ed.

SCHAFF, Adam. Linguagem e pensamento. Coimbra: Livraria Almedina, 1974.

SCHMALTZ NETO, Genis Frederico. Para compreender o meio ambiente mental: Anotações de um ecolinguista sobre o cérebro. II Encontro Brasileiro de Imaginário e Ecolinguística, UEG-Formosa (GO), 11-13/11/2015 (http://iiebime.blogspot.com.br ), 2015.

SLOBIN, Dan. Psicolinguística. São Paulo: Companhia Editora Nacional/Editora da USP, 1980.

TOLMAN, Edward C. Cognitive maps in rats and men. The psychological review v. 55, n. 4, 1948, p. 189-208.

TSETUNG, Mao. Vier philosophische Monographien. Peking: Verlag für Fremdsprachige Literatur, 1971.

VYGOTSKY, L. S. Mind in society. Cambridge/Londres: Harvard University Press, 1978.

_______. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 3ed.

WALLON, Henri. Le réel et le mental Enfance v. 12, n. 3-4, 1959, p. 367-397.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.
';



ECO-REBEL - Revista brasileira de ecologia e linguagem - ISSN: 2447-7052 - ecorebelbrasil@gmail.com / hiho@unb.br