Duplipensar o conceito surdo ou resignificar a concepção visual pelas lentes da ecolinguística

Anderson Simão Duarte, Cláudio Alves Benassi, Simone de Jesus Padilha

Resumo


Esta pesquisa discute a concepção histórica do termo “surdo” e apresenta a simbiose sujeito-língua como indivíduo não marcado pela deficiência, mas pela língua, sendo esta VISUAL. Concepções bakhtinianas corroboram no solo fértil da ecolinguística num processo de germinação, onde sujeitos visuais lutam por acesso e permanência autônoma no meio ambiente ecológico de que fazem parte. O olhar do outro como marca preconceituosa em relação à língua de sinais mumifica as concepções aristotélicas e envenenam o sujeito no reconhecimento da diferença como espelho da normalidade. Registram-se as marcas históricas das línguas de sinais como parasitas e/ou competidoras e não como epífitas e/ou simbióticas.

 

Palavras-chave:Língua de Sinais. Surdo. Visual. Meio ambiente linguístico. Inclusão.   

 

 

Abstract:This research discusses the historical conception of the term "deaf" and presents the subject-language symbiosis as an individual identified not by disability, but by the language, which is VISUAL. Bakhtinian conceptions corroborate in the fertile soil of Ecolinguistics in a germination process, in which visual subjects struggle for access and autonomous permanence in the ecological environment in which they live. The gaze of the other as a prejudiced feature of sign language mummifies the Aristotelian conceptions and poisons the subject for the recognition of difference as a mirror of normality. Thus, the historic features of sign language are registered as parasites and/or competitors, not as epiphytes and/or symbiotic.

 

Keywords: Sign Language. Deaf. Visual. Linguistic environment. Inclusion.


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Referências


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