A ecologia do contato de línguas e os empréstimos lexicais árabes nas línguas não árabes do Senegal

Djiby Mane

Resumo


: A história medieval da África Ocidental é marcada pelo grande evento que é a sua islamização.O islã penetrou na África negra na Idade Média graças aos comerciantes e marabus itinerantes. Com a chegadado Islãem solo africano, o contato entre o árabe (superestrato) e as línguas de muçulmanos não árabes (substratos) tem produzido uma sériedeempréstimoslinguísticos. Como resultado desse contato entre os diferentes povos com suas respectivas línguas algumas palavras são muitas vezes adotadas por sua utilidade, sua ausência em uma determinada língua, por modismo ou por influência de uma sobre a outra como, por exemplo, a expressão “as-salamu alaikum” usada como saudação no Senegal. Há lições que podemostirar dessa relação entre o árabe, língua supercentral, em torno da qual gravitam outras línguas de muçulmanos não árabes do Senegal (wolof, peul, toucouleur, serer, mandinga, diola, balanta, manjaco, bambara). A análise mostrou que os empréstimos do árabe afetam mais o campo lexical da religiosidade e que esses empréstimos estão tão incorporados no cotidiano dos senegaleses que as pessoas não suspeitam de sua origem estrangeira.

Palavras-chave: Contato de línguas; empréstimo;islã; línguas do Senegal.

 

Abstract:The medieval history of West Africa is marked by the big event of Islamization. Islam came to the region in the Middle Ages, thanks to itinerant merchants and marabouts. Its arrival entailed contact between the Arab (superstrate) and the languages of non-Arab Muslims (substrates), giving place to several loan-words. Words are often adopted because of their usefulness as well as of their lack in a specific a language as, for example, the expression "as-salamu alaicum" used as a greeting form in Senegal. There are lessons we can learn from this relation between the super-central language Arab, around which some languages revolve, from non-Arab Muslims in Senegal, as is the case with Wolof, Fulani, Toucouleur, Serer, Mandingo, Diola, Balanta, Manjaco, and Bambara. The present investigation shows that the Arabic loans affect more the lexical field of religiosity. The loan-words are so embedded in the daily lives of the Senegalese people that they do not suspect their foreign origin.

Keywords: Language contact; borrowing; Islam; languages of Senegal.


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Referências


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