Aspectos condicionadores do objeto nulo e do pronome pleno em português brasileiro: uma análise da fala infantil

Mônica Rigo Ayres, Gabriel de Ávila Othero

Resumo


O quadro pronominal do português brasileiro (PB) vem passando por modificações ao longo do tempo. Desde o século XIX, o clítico acusativo de terceira pessoa (o, a) vem perdendo espaço no conjunto de pronomes. Para retomar elementos anafóricos em posição de objeto direto, a gramática do PB fornece duas estratégias no lugar do clítico: o pronome pleno (ele, ela) ou uma categoria vazia. A escolha por uma estratégia ou outra não é aleatória; acontece por influência de traços semânticos (e talvez discursivos) do referente anafórico. De acordo com a literatura sobre o assunto, os traços de animacidade e especificidade ou de gênero semântico são os que parecem condicionar o uso de pronomes e objetos nulos em PB, e é isso que investigaremos aqui. Nossa hipótese central é que apenas uma dessas características do referente seja de fato aquela que condicione o uso do pronome ou do objeto nulo na retomada anafórica: o traço de gênero semântico. Para corroborar essa hipótese, analisamos aqui a fala de crianças entre as idades de 1 a 9 anos, dos corpora do do CEAAL (PUCRS) e PEUL (UFRJ).


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