Estudos feministas de tradução:

um recorte de pesquisas do Programa de Pós-graduação em Estudos da Tradução (PGET-UFSC)

Palavras-chave: Estudos Feministas de Tradução, História da Tradução, PGET-UFSC

Resumo

Diante da invisibilidade imposta às mulheres no campo da Tradução, este trabalho tem o objetivo de analisar as contribuições teórico-práticas aos Estudos Feministas de Tradução desenvolvidas no programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (PGET) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Para tanto, apresentamos as teses e dissertações defendidas neste programa – por ser o pioneiro do Brasil em Estudos da Tradução e do qual fazemos parte –, de 2005 a 2018, que abordam a tradução em sua intersecção com os Estudos de Gênero. Esperamos, com este levantamento, auxiliar a visibilidade de pesquisas desenvolvidas neste campo de estudos e favorecer a formação de redes que conectem pesquisadoras/es de diversos locais que estejam interessadas/os na temática, como parte de uma das propostas do Grupo de Estudos Feministas na Literatura e na Tradução (GEFLIT/UFSC).  Do total de 273 dissertações e 114 teses analisadas, apenas 20 apresentaram os critérios utilizados na busca e compuseram o corpus. Desses 20, 18 abordaram questões de gênero, no entanto, apenas nove identificaram-se inseridas nos Estudos da Tradução em sua intersecção com os Estudos de Gênero. Disso, conclui-se que os estudos feministas ainda têm encontrado resistência no diálogo com outras áreas do conhecimento. Tal fato reflete a diferença social de gênero e, consequentemente, o caráter gendrado da linguagem e da cultura escrita. Nesse sentido, pesquisadoras como Rosvitha Blume (2010), Luise von Flotow & Farzaneh Farahzad (2016) e Olga Castro (2017) chamam atenção para a necessidade do resgate histórico de tradutoras bem como para a importância de pesquisas e experiências de tradução conscientes do seu papel feminista, como aqui apresentamos.

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Biografia do Autor

Beatriz Regina Guimarães Barboza, Universidade Federal de Santa Catarina

Atualmente, aluna de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (PGET) na Universidade Federal de Santa Catarina (segundo semestre de 2016) Mestra em Estudos da Tradução (PGET). Bacharela em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Campinas (2016), com ênfase nas áreas de Estudos da Tradução, Teoria Literária, Literatura Comparada e Tradução Comentada. Trabalha como revisora e possui interesse na atuação em tradução e crítica literária.

Naylane Araújo Matos, Universidade federal de Santa Catarina

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com bolsa CNPq. Membro do Grupo de Estudos Feministas na Literatura e na Tradução (GEFLIT/UFSC). Mestra em Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com bolsa CAPES. Membro do grupo de pesquisa Linguagem, Estudos Culturais e Formação do Leitor (LEFOR) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Graduada em Licenciatura plena em Letras - Língua Inglesa e Literaturas pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), com bolsa de Iniciação à Docência (PIBID); e bolsa de Iniciação Científica (PICIN/UNEB). Atuou no Projeto Agente de Leitura, no município de Serrolândia/BA (2013-2014). Principais áreas de atuação e interesse: Estudos Culturais; Leitura e Formação de Leitores/as; Literatura de Língua Inglesa; Tradução Feminista; Crítica Literária 

Sheila Cristina Santos, Universidade Federal de Santa Catarina

Garaduada em Letras Francês pela Universidade Federal de Santa Catarina, Mestra em Estudos da Tradução PGET-UFSC atualmente é doutoranda em Estudos da Tradução pelo mesmo programa. 

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Publicado
2018-12-31
Como Citar
BarbozaB. R. G., MatosN. A., & SantosS. C. (2018). Estudos feministas de tradução:. Belas Infiéis, 7(2), 43-61. https://doi.org/10.26512/belasinfieis.v7i2.15266
Seção
Artigos