Eros e Philia na filosofia Platônica

  • Maria Aparecida de Paiva Montenegro Universidade Federal do Ceará (UFC) Fortaleza – Brasil

Abstract

Não é fácil demarcar a diferença entre as concepções platônicas de Eros e Philia. Nos diálogos mais voltados para o assunto, como Lísis, Banquete e Fedro, identificamos uma sobreposição dos dois temas, tal que o exame de um acaba por remeter ao exame do outro. No Lísis, enquanto a Philia constitui-se como o foco da discussão de Sócrates com Menexeno, o diálogo traz como pano de fundo e com forte apelo dramático o amor de Hipótales por Lísis. No Banquete, apesar de ser Eros o tema central do diálogo, tem-se a partir do discurso de Pausânias a diferenciação entre dois tipos de Eros, de modo que o mais belo deles em muito se assemelha ao que se entende por Philia. No Fedro, por sua vez, esta aparece como um Eros mitigado. Pretendo mostrar que, nos diálogos supracitados, Platão se vale da aproximação entre Eros e Philia para fundamentar sua própria concepção de Philos sophía, na qual Eros desempenha um papel decisivo. Mais precisamente, uma concepção de filosofia na qual o que é Belo (Eros) deve assimilar o que é Bom (Philia). Para tanto, lança mão das seguintes teses: 1. O desejo é causa tanto de Eros quanto de Philia e, enquanto tal, pressupõe uma relação entre amantes/amigos; 2. O desejo é marcado por uma falta (presente ou futura); 3. O que falta é na verdade algo que foi perdido; 4. O desejo é o movimento da alma para recuperar algo perdido, a saber, a contemplação do Belo. 5. A filosofia é o percurso, guiado por Eros, para o reencontro do Belo.

Downloads

Download data is not yet available.
Published
2014-07-14
How to Cite
MontenegroM. A. de P. (2014). Eros e Philia na filosofia Platônica. Archai: The Origins of Western Thought, (13), 121. Retrieved from http://periodicos.unb.br/index.php/archai/article/view/8492